TENSÃO

Pentágono alerta Irã sobre 'bombas caindo' em caso de recusa de acordo

Porta-aviões USS George H.W. Bush e navios de guerra dos EUA no Oriente Médio, simbolizando o aumento da presença militar e a tensão com o Irã.
O porta-aviões USS George H.W. Bush, parte do reforço militar dos EUA no Oriente Médio, em meio à escalada de tensões com o Irã.

Secretário de Defesa dos EUA e General detalham bloqueio e envio de 10 mil militares à região. Diálogo com Teerã segue incerto.

As tensões no Oriente Médio se intensificam drasticamente. Os Estados Unidos, por meio de declarações do Secretário de Defesa Pete Hegseth e do General Dan Caine em coletiva de imprensa no Pentágono nesta quinta-feira, 16 de abril de 2026, reiteraram a prontidão para retomar operações de combate caso o Irã não aceite um acordo de paz. A postura agressiva visa pressionar Teerã a ceder nas negociações, elevando o temor de um conflito que pode desestabilizar ainda mais a região e impactar a economia global, especialmente as rotas de petróleo.

Hegseth, figura central da administração Trump, não hesitou em fazer duras provocações ao Irã. Ele questionou a capacidade naval iraniana, alegando que sua Marinha foi "completamente destruída" em ataques anteriores dos EUA e Israel, apesar de o Irã se proclamar controlador do Estreito de Ormuz.

A ameaça explícita ressoou pelos corredores do Pentágono: "Nossas forças estão posicionadas para reiniciar as operações de combate caso o Irã faça uma escolha ruim e não aceite um acordo. Vocês, Irã, podem escolher um futuro próspero e esperamos que o façam pelo povo iraniano. Mas se o Irã fizer escolhas ruins, bombas cairão sobre a infraestrutura, o setor elétrico e energético. Espero que escolha um acordo que esteja ao seu alcance", declarou Hegseth, traçando um cenário sombrio para o futuro iraniano.

Questionado sobre o estado do líder supremo do Irã, Motjaba Khamenei, Hegseth apenas afirmou: "Acredita-se que esteja ferido, mas vivo". Essa declaração segue um histórico de especulações do secretário, que, há um mês, havia sugerido que o líder iraniano estaria "desfigurado" e escondido em um bunker.

Complementando a linha-dura, o comandante das forças, General Dan Caine, forneceu detalhes sobre o bloqueio militar em vigor no Estreito de Ormuz. Ele explicou que a fiscalização abrange tanto as águas territoriais iranianas quanto as internacionais, e, até o momento, nenhum navio foi interceptado.

Caine foi enfático ao alertar: "Deixe-me ser claro: este bloqueio se aplica a todos os navios, independentemente da nacionalidade, que se dirijam a ou partam de portos iranianos. A ação dos EUA é um bloqueio dos portos e da costa do Irã, não um bloqueio do Estreito de Ormuz. Os Estados Unidos perseguirão qualquer embarcação que tente fornecer apoio ao Irã. Se não obedecerem, usaremos a força." A medida, que já impede a passagem de navios desde segunda-feira, 13 de abril, visa aplicar uma severa pressão financeira sobre Teerã.

A escalada das tensões entre EUA e Irã ganhou força após o fracasso das conversas diplomáticas em Islamabad, Paquistão, no último sábado, 11 de abril. Para reforçar a pressão, o governo Trump ordenou, na quarta-feira, 15 de abril, o envio de mais de 10 mil militares para o Oriente Médio, conforme reportado pelo jornal "The Washington Post".

Essa manobra militar é interpretada como uma tática para intensificar a pressão sobre Teerã antes de uma possível segunda rodada de negociações, que a Casa Branca indicou estar em discussão.

Segundo autoridades consultadas pelo "Washington Post", o Pentágono determinou o deslocamento de aproximadamente 10 mil militares adicionais para a região. Dentre eles, cerca de 6.000 soldados a bordo do porta-aviões USS George H.W. Bush e seus navios de escolta, além de 4.200 militares do Grupo Anfíbio de Prontidão Boxer e da 11ª Unidade Expedicionária de Fuzileiros Navais, que devem chegar até o fim do mês. Estes reforços se somarão aos cerca de 50 mil americanos já envolvidos nas operações contra o Irã.

Paralelamente à demonstração de força, os Estados Unidos estudam a viabilidade de uma segunda rodada de negociações de paz com o Irã, mantendo um otimismo cauteloso. A porta-voz do Executivo americano, Karoline Leavitt, confirmou na quarta-feira, 15 de abril, que "essas conversas estão em andamento" e que "estamos otimistas quanto às perspectivas de um acordo".

Enquanto isso, o Irã reage às pressões. A Guarda Revolucionária iraniana ameaçou bloquear o Golfo Pérsico e o Mar de Omã para importações e exportações. Teerã também contesta a eficácia do bloqueio americano, afirmando que duas embarcações iranianas já conseguiram furar o cerco no Estreito de Ormuz.

O Irã também mantém sua própria frente diplomática. O ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, recebeu uma delegação paquistanesa liderada pelo comandante do Exército Asim Munir, dias após as conversas fracassadas em Islamabad. O Ministério das Relações Exteriores iraniano confirmou que os contatos com os Estados Unidos prosseguem, intermediados pelo Paquistão.

Em relação ao programa nuclear, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, reafirmou que o país não renunciará ao seu direito de uso pacífico da energia nuclear, mas indicou que a porcentagem de enriquecimento de urânio é "negociável".

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