VOLUNTÁRIO NO FRONT

Ex-empresário de brasileiro deixa vida no Brasil para combater pela Ucrânia

Antônio Piancó, ex-empresário brasileiro, em uniforme de combate durante conflito na Ucrânia.
Antônio Piancó, identificado pelo codinome Delta, utiliza drones em operações na linha de frente — Foto: Arquivo pessoal

Antônio Piancó trocou o comando de um restaurante em Ariquemes pelo uso de drones na linha de frente do conflito. Brasileiro busca defender a soberania ucraniana.

Antônio Piancó, ex-empresário do setor de gastronomia em Ariquemes, RO, decidiu voluntariar-se como combatente e operador de drones no conflito contra a Rússia. A escolha, formalizada em sua trajetória de transição de vida, foi motivada por um desejo pessoal de auxiliar na defesa da soberania da Ucrânia, conforme relatado em 19 de julho de 2026.

O brasileiro, que por seis anos administrou um restaurante de culinária japonesa no Brasil, não possui histórico de serviço no Exército Brasileiro. Sua adaptação à realidade do front, onde utiliza o codinome "Delta", baseou-se em conhecimentos prévios como atirador esportivo e piloto de aeronaves não tripuladas. Em depoimento, o voluntário destacou que o engajamento não possui fins lucrativos, revelando ter investido mais de R$ 3,5 mil em equipamentos próprios para viabilizar sua participação na defesa de Kiev.

A mudança radical de rotina — que inclui o uso constante de armamento e proteção balística — é acompanhada de perto pela família no Brasil. Embora o receio inicial tenha marcado o anúncio da decisão, Antônio relata contar atualmente com o incentivo de seus entes queridos. Por questões de segurança estratégica, a localização do batalhão onde o brasileiro atua permanece sob sigilo absoluto.

Apesar da incerteza do cenário atual, o ex-empresário projeta um retorno ao Brasil após o encerramento das hostilidades, com planos de retomar sua carreira no ramo alimentício em João Pessoa, Paraíba. A decisão de atuar no campo de batalha é vista por ele como uma missão humanitária, reforçando um desejo de contribuir diretamente para a liberdade ucraniana.

O cenário geopolítico que envolve a participação de voluntários estrangeiros remonta aos desdobramentos de 2014, quando a queda de Viktor Yanukovitch e a posterior anexação da Crimeia pela Rússia alteraram permanentemente a estabilidade da região. Desde o início das tensões envolvendo Donbass, Donetsk e Luhansk, o conflito contabiliza perdas humanas massivas. Estimativas da ONU e de órgãos como CSIS e BBC indicam centenas de milhares de baixas, refletindo a dimensão da tragédia que motiva o envio de ajuda humanitária e militar internacional.

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