RUMO A 2026
Pesquisas eleitorais alertam Lula no Nordeste e Flávio Bolsonaro no Sudeste
Levantamentos indicam queda de apoio ao presidente em sua base histórica e desafio para Flávio Bolsonaro no maior colégio eleitoral. Cenário impacta as estratégias para 4 de outubro de 2026.
As principais pesquisas eleitorais dos últimos 30 dias, compiladas e analisadas nesta sábado, 25 de abril de 2026, revelam um cenário de alerta para a corrida presidencial de 2026. Os levantamentos indicam que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) demonstra uma diminuição do apoio no Nordeste, historicamente uma base forte, em comparação com os resultados de 2022. No Sudeste, contudo, o petista mantém uma estabilidade. Paralelamente, seu potencial adversário, Flávio Bolsonaro (PL), registra um avanço notável entre os nordestinos, mas ainda não alcança a performance de seu pai, Jair Bolsonaro, na região sudestina. Esta configuração eleitoral é crucial, pois as estratégias de ambos os lados precisam se reajustar para garantir a vitória, em um pleito onde a adesão popular nessas duas grandes regiões será decisiva para os destinos do Brasil.
A análise do Poder360 confronta as projeções de um embate direto entre Lula e Flávio Bolsonaro com os números reais do 2º turno da última eleição em cada região.
O Nordeste, conhecido por seu apoio histórico à esquerda, foi fundamental para a vitória de Lula em 2022. Naquela eleição, o presidente garantiu 65,9% dos votos válidos na região, contra 29,1% de seu então oponente, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Os levantamentos atuais, por outro lado, mostram que Flávio Bolsonaro (PL) conquista entre 30% e 35% das intenções de voto no Nordeste. Este desempenho representa uma média superior à obtida por seu pai na mesma região há três anos e meio, indicando uma reconfiguração da base eleitoral.
Com 27,4% do eleitorado nacional, o Nordeste é a segunda maior força eleitoral do país, superado apenas pelo Sudeste, que concentra 41,9%.
No Sudeste, que em 2022 conferiu a Lula 43,4% dos votos totais (incluindo brancos e nulos), as pesquisas recentes mostram o presidente variando entre 41% e 46% das intenções de voto. Ao contrário do Nordeste, essa região não apresenta a mesma deterioração no apoio ao petista.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, oscila entre 41% e 49% dos votos no Sudeste. Contudo, ele ainda não alcança o patamar de seu pai, que obteve 51,5% dos votos totais na mesma região em 2022.
Em outras grandes regiões do país, os levantamentos também revelam tendências importantes. No Sul, uma região tradicionalmente antipetista, Lula enfrenta uma perda de apoio, enquanto Flávio Bolsonaro apresenta um cenário misto: dois estudos apontam queda em comparação com Jair Bolsonaro, e outros dois projetam estabilidade.
Já nas regiões Norte e Centro-Oeste, frequentemente agrupadas pelas empresas de pesquisa devido à menor densidade populacional, tanto Lula quanto Flávio Bolsonaro registram índices aquém dos resultados alcançados em 2022.
Um dado relevante apontado pelas pesquisas é que aproximadamente 10% do eleitorado declara voto branco, nulo ou ainda não apoia nenhum pré-candidato. Historicamente, esse percentual diminui à medida que o pleito se aproxima (em 2022, os votos brancos/nulos somaram 4,59%). Este grupo de eleitores indecisos será intensamente disputado por todas as candidaturas, podendo ser o fiel da balança na disputa.
Os levantamentos que embasam estas análises foram realizados pelas renomadas empresas Datafolha (BR-03770/2026), CNT/MDA (BR-02847/2026), Paraná Pesquisas (BR-00873/2026) e Nexus/BTG (BR-07875/2026).
Este cenário de oscilações nas pesquisas eleitorais vai muito além de números e estratégias políticas; ele toca diretamente a vida dos cidadãos e a dignidade democrática do país. O desempenho de Lula no Nordeste, por exemplo, é um sinal de alerta para o PT, pois a região, que historicamente impulsiona candidaturas de esquerda, foi decisiva para seu retorno ao Planalto em 2022. A eventual perda de apoio ali pode não ser compensada pela estabilidade no Sudeste, impactando profundamente o futuro da governabilidade e as políticas públicas que afetam milhões.
A vitória em 2026, para qualquer dos candidatos, dependerá intrinsecamente do desempenho nessas duas regiões, que concentram os maiores colégios eleitorais do país. Lula precisará reverter a tendência de declínio no Nordeste e, ao mesmo tempo, consolidar e expandir sua base no Sudeste. Flávio Bolsonaro, por sua vez, tem o desafio de superar a performance de seu pai e conquistar mais eleitores no Sudeste, Norte e Centro-Oeste.
É crucial lembrar que as pesquisas são apenas um retrato do momento. Com o primeiro turno da eleição marcado para 4 de outubro, ainda há um longo percurso. O Planalto aposta que medidas como a isenção do IR e a campanha pelo fim da jornada de trabalho 6x1, que podem beneficiar a classe média e trabalhadores formais em Estados como São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, possam impulsionar a popularidade do presidente e reverter as tendências desfavoráveis, mostrando como as decisões governamentais buscam tocar o dia a dia da população.
Esta reportagem contém informações que foram primeiramente publicadas com exclusividade pelo Drive, a newsletter produzida para assinantes pela equipe de jornalistas do Poder360. Para ter acesso antecipado às principais notícias do cenário político, saiba mais sobre o Drive.
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