OPOSIÇÃO

Flávio Bolsonaro define equipe para a pré-campanha presidencial

Imagem detalha o núcleo da pré-campanha de Flávio Bolsonaro, com Rogério Marinho no comando político e as quatro áreas estratégicas de atuação.
Flávio Bolsonaro estrutura pré-campanha com comando político de Rogério Marinho e divisão em 4 áreas.

Comando político fica com Rogério Marinho (PL-RN), e time se divide em quatro eixos estratégicos para as eleições de 2026.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), consolidando sua posição como principal voz da oposição, estruturou de forma organizada sua pré-campanha à Presidência da República para as eleições de 2026. A iniciativa, desenvolvida ao longo dos últimos meses e tornada pública nesta sábado, 09/05/2026, mira em ampliar seu alcance político e fortalecer a disputa contra o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Este movimento estratégico centraliza o comando político no senador Rogério Marinho (PL-RN) e distribui as tarefas em quatro áreas cruciais, desenhando um novo capítulo na corrida eleitoral e indicando a seriedade com que o PL-RJ encara a disputa pelo futuro do país.

Marinho, com sua vasta experiência política e habilidade de articulação, assume um papel central na coordenação da campanha. Ele transita por diversos setores, do Congresso Nacional ao empresariado e funcionalismo público, o que tem permitido ao senador ampliar significativamente a capilaridade do projeto eleitoral e auxiliar na estruturação de palanques estaduais desde setembro de 2025.

Apesar de sua relevância, Marinho evita ser o “posto Ipiranga” – uma referência usada por Bolsonaro em 2018 para descrever Paulo Guedes como o principal formulador econômico. A estratégia atual, na prática, não concentra o poder em uma única figura. A campanha optou por diluir as atribuições, distribuindo-as em áreas específicas para maior eficiência e alcance.

A estrutura de campanha é composta por um núcleo político sob a liderança de Rogério Marinho, que coordena quatro subdivisões essenciais, cada uma com responsáveis definidos:

  • Programa de governo: Eduardo Cury. Ex-deputado federal, Cury possui um perfil técnico e estabelece um diálogo fluente com gestores públicos e especialistas. Ele é visto como um articulador qualificado para sistematizar propostas e dialogar com diversas correntes de pensamento econômico e administrativo, moldando as diretrizes que, se vitoriosas, impactarão diretamente a vida dos brasileiros.
  • Jurídico: Maria Claudia Bucchianeri. Ex-integrante do Tribunal Superior Eleitoral, Bucchianeri é reconhecida como uma das advogadas mais respeitadas de Brasília. Sua atuação destacada e bom relacionamento em diversas cortes superiores são fundamentais para navegar pelo complexo cenário eleitoral e garantir a lisura do processo.
  • Infraestrutura: Vicente Santini. Santini, que atuou em funções estratégicas no governo federal, tem um histórico de interlocução com operadores do setor de obras e concessões. Sua responsabilidade é desenhar propostas para a expansão logística do país, visando o desenvolvimento econômico e a melhoria da qualidade de vida por meio de projetos que geram empregos e conectam regiões.
  • Comunicação: Marcello Lopes. Conhecido como “Marcelão”, Lopes é amigo próximo de Flávio e atua como homem de confiança no dia a dia da campanha. Embora o comando formal da área ainda não esteja totalmente definido, sua equipe tem sido crucial na construção da narrativa e na forma como a mensagem do candidato chega ao eleitor.

No núcleo do programa de governo, a equipe já conduziu cerca de 80 reuniões desde setembro de 2025, envolvendo nomes do mercado, da academia e da política. O conteúdo das discussões permanece em sigilo, uma escolha estratégica.

Essa cautela deve-se à memória da eleição de 2014, quando Marina Silva (Rede-SP) detalhou suas propostas e tornou-se alvo de uma ofensiva publicitária coordenada por João Santana, então marqueteiro do PT. Uma peça marcante explorava a proposta de autonomia do Banco Central com um tom alarmista, associando-a a um cenário de crise social, chegando a mostrar um prato sendo retirado de uma criança em um ambiente de escassez.

Passados mais de 10 anos, a autonomia do Banco Central foi efetivada no governo Bolsonaro e mantida na gestão atual. Este é o primeiro governo após a efetivação da medida e caminha para entregar a menor inflação acumulada em um único governo desde a redemocratização – um indicador diretamente ligado à missão institucional da autoridade monetária. Este contraste reforça, entre aliados de Flávio, a avaliação de que temas delicados exigem máxima cautela na arena eleitoral, mesmo propostas potencialmente eficazes, devido ao histórico de exploração política por parte de campanhas do PT.

No campo jurídico, a campanha trabalha com um levantamento detalhado de precedentes eleitorais, especialmente os da disputa de 2022. A ideia é construir um arsenal pronto para uso imediato, garantindo que qualquer injustiça ou ataque possa ser combatido prontamente nas cortes, preservando a integridade do processo democrático.

Essa postura marca uma diferença relevante em relação à estratégia de Jair Bolsonaro em 2022, que se apresentou como um "outsider" e acionou pouco a Justiça Eleitoral contra Lula. Flávio, ao contrário, posiciona-se como um político tradicional e deve adotar uma atuação mais ativa nas cortes, em linha com a estratégia utilizada por Lula em campanhas recentes, buscando assegurar um campo de jogo equitativo.

Na área de infraestrutura, as conversas envolvem operadores do setor e especialistas. O objetivo é estruturar um plano robusto de expansão, focado na modernização e na retomada de obras paradas. A avaliação interna é que existe um potencial imenso para transformar projetos interrompidos em ativos econômicos relevantes, com impacto direto sobre o crescimento do país e a geração de empregos, beneficiando a sociedade como um todo.

O núcleo de comunicação é o único que ainda apresenta indefinição formal. Mesmo assim, Marcello Lopes tem conduzido a operação cotidiana. Sua equipe foi responsável por testar em pesquisas qualitativas algumas das linhas narrativas, como o slogan “meu amigo Flávio”, que busca aproximar o candidato do eleitor, criando uma conexão mais pessoal e acessível.

Outro eixo é a comparação simbólica com o presidente Lula. Em grupos qualitativos, Lula é associado a um Chevrolet Opala – um ícone do passado, objeto de desejo em sua época, mas visto hoje como caro e pouco prático para o dia a dia. Flávio, por sua vez, aparece como uma alternativa mais moderna, ainda que cercada de incertezas sobre o futuro, em analogia a veículos novos como o BYD. A leitura da campanha é que o desafio será transformar essa percepção de “novo com dúvida” em “novo com confiança”, sem perder o apelo de renovação que hoje marca a imagem do senador.

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