GESTÃO E DESAFIOS
Álvaro Dias propõe plano de governo ambicioso para o Rio Grande do Norte
Candidato do PL promete ampliação de serviços públicos e investimentos em infraestrutura sem elevar impostos, mas enfrenta o desafio de um déficit previdenciário bilionário.
O plano de governo de Álvaro Dias (PL) para o Rio Grande do Norte propõe uma equação ambiciosa: ampliar os serviços públicos, realizar concursos, valorizar servidores, recuperar estradas, investir mais em Educação, fortalecer hospitais, regionalizar a Saúde e criar novos programas sem aumentar impostos. O compromisso, detalhado em um documento de 94 páginas registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), busca reduzir o peso da folha de pagamento e recuperar a capacidade financeira do Estado.
As propostas visam impactar diretamente a dignidade da população, com promessas como a Tabela RN Saúde para reduzir filas de atendimento e a criação de centros logísticos e de acolhimento para mulheres. No entanto, o diagnóstico financeiro do próprio plano revela um cenário de cautela. Em 2025, os investimentos representaram apenas 3% da despesa total, enquanto o Poder Executivo acumulou, no período de 12 meses encerrado em abril de 2026, R$ 11,29 bilhões em despesas com pessoal — montante que superou em R$ 1,43 bilhão o limite estabelecido pela Lei de Responsabilidade Fiscal.
A pressão sobre o Tesouro estadual é agravada pelo desequilíbrio previdenciário. Somente nos quatro primeiros meses de 2026, o déficit entre a arrecadação das contribuições e o pagamento de aposentadorias e pensões atingiu R$ 1,07 bilhão. Além disso, o Tribunal de Contas do Estado (TCE) aponta um déficit atuarial de R$ 54,3 bilhões, um desafio estrutural que o documento propõe enfrentar por meio de novos estudos, sem detalhar, contudo, as medidas concretas para conter o rombo.
A experiência administrativa do candidato como gestor municipal em Natal é utilizada como um dos pilares de sua campanha. Enquanto o relatório de transição aponta resultados positivos em indicadores fiscais e previdenciários municipais ao final de 2024, também revelou passivos, como R$ 862,9 milhões em restos a pagar e 46 obras paralisadas ou inacabadas, muitas delas sob justificativa de falta de pagamento.
Embora o plano de governo apresente 22 metas para os cem primeiros dias de gestão, o documento não oferece uma projeção consolidada de custos ou uma hierarquia de prioridades. A viabilidade das propostas permanece condicionada à capacidade fiscal, deixando em aberto a questão de como o Estado poderá, simultaneamente, expandir despesas permanentes e realizar ajustes orçamentários profundos sem comprometer o equilíbrio das contas públicas.
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