ANÁLISE DO CENÁRIO
Cenário eleitoral torna improvável o surgimento de uma terceira via, avalia especialista
Dados da Nexus/BTG indicam que a polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro consolida o voto defensivo no Brasil.
O eleitorado brasileiro enfrenta um cenário onde a disputa política é movida majoritariamente pela rejeição aos candidatos, tornando pouco provável o surgimento de uma terceira via. A constatação foi feita nesta segunda-feira (3), após a divulgação de uma pesquisa realizada pela Nexus/BTG, que traça um panorama de polarização profunda no país.
O levantamento aponta que 45% do eleitorado se define como antilulista, enquanto 40% se posiciona como antibolsonarista. Para Leonardo Barreto, sócio da consultoria Think Policy, esse comportamento revela que o voto deixou de ser uma escolha de afinidade para se tornar uma ferramenta de veto. "A gente já está há algum tempo votando para impedir que o que você não gosta assuma o poder", explicou o especialista em entrevista ao programa Hora H, também nesta segunda-feira (3).
A consolidação desse padrão levanta uma questão central sobre o comportamento do eleitor: a falta de adesão a novas candidaturas decorre do desconhecimento sobre as alternativas ou de uma rejeição fundamentada a elas? Segundo Barreto, essa dúvida só será dirimida com o início oficial do período eleitoral.
Tecnicamente, a viabilidade de uma terceira via dependeria de um evento disruptivo na dinâmica das candidaturas principais. "Como o Lula domina o campo da esquerda, entendemos que essa possibilidade só poderia vir da direita. Ou seja, um colapso da candidatura de Flávio Bolsonaro poderia impulsionar outra alternativa", avaliou Barreto.
A estratégia das campanhas atuais reflete essa cautela. Barreto observa que, tanto o ex-presidente Lula quanto Flávio Bolsonaro, evitam a exposição desnecessária em debates, confiantes em suas respectivas bases de apoio e no controle de seus campos ideológicos. Contudo, há uma margem de atenção: 30% dos eleitores não souberam responder em quem votar na pesquisa espontânea. Para o especialista, esse grupo expressivo pode estar aguardando uma oferta política diferente antes de definir seu posicionamento definitivo.
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