AGENDA LEGISLATIVA SOB PRESSÃO

Congresso enfrenta fila de 34 MPs com risco de caducar após o recesso

Vista externa do prédio do Congresso Nacional sob céu azul.
Fachada do Congresso Nacional, em Brasília, onde tramitam as 34 Medidas Provisórias pendentes de análise neste semestre.

Parlamento retorna às atividades com dezenas de Medidas Provisórias pendentes; Regime Emergencial de Abastecimento Interno de Combustíveis é a primeira a expirar.

O Congresso Nacional retomou suas atividades legislativas com o desafio de analisar 34 Medidas Provisórias (MPs) que aguardam deliberação neste semestre. A urgência da pauta é destacada pela iminência do vencimento de um texto fundamental nesta terça-feira (4), que institui o Regime Emergencial de Abastecimento Interno de Combustíveis.

Editada pelo governo em 7 de abril, a medida visa assegurar o fornecimento de óleo diesel, gás natural e outros derivados de petróleo diante da alta de preços provocada pelo conflito no Oriente Médio. A legislação autoriza a União a firmar cooperações financeiras com estados e o Distrito Federal para mitigar riscos de desabastecimento, além de prever subvenções para importadores de combustíveis e apoio ao setor aéreo.

A tendência é que o texto perca a validade, uma vez que não há sessões deliberativas agendadas para o Parlamento nesta terça-feira. Embora o recesso tenha terminado no último sábado (1º), o retorno efetivo da maioria dos parlamentares a Brasília está previsto apenas para o dia 10 de agosto. Sem a votação dentro do prazo, a norma deixa de produzir efeitos jurídicos, o que gera incertezas sobre as políticas de subsídios vigentes.

O cenário para as outras 33 MPs também é de incerteza. Sete delas tratam diretamente do mercado de combustíveis e envolvem abertura de créditos extraordinários. Além disso, a MP que aprimora o Fundo Garantidor da Habitação Popular expira em 12 de agosto. No radar das Casas, destaca-se ainda a disputa sobre o programa de renegociação de dívidas rurais, fruto de um acordo entre o Palácio do Planalto e a Frente Parlamentar Agropecuária, que busca amparar produtores afetados por eventos climáticos.

A tramitação legislativa, que exige análise em comissão mista e votação nas duas Casas, deve encontrar obstáculos no segundo semestre. O período eleitoral, com esforço concentrado reduzido, limita a margem de manobra dos legisladores, que priorizam as articulações em seus redutos. Até novembro, o foco parlamentar estará disperso, o que coloca em xeque a continuidade de diversas políticas emergenciais.

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