FIM DA DÍVIDA?
Datafolha: 68% dos endividados acreditam que o Desenrola 2.0 trará benefícios
Pesquisa aponta otimismo em relação ao programa. Jovem, nordestino e eleitor de Lula são os mais confiantes.
Uma pesquisa recente do Datafolha, divulgada na quinta-feira, 21 de maio de 2026, revelou um otimismo significativo entre os brasileiros endividados em relação ao programa Desenrola 2.0. De acordo com o levantamento, 68% dos que possuem dívidas acreditam que serão beneficiados pela iniciativa. Além disso, 82% enxergam que o programa terá um impacto positivo para a economia nacional como um todo.
Esses índices de confiança no Desenrola 2.0 superam a avaliação geral do governo, com 31% dos endividados considerando o governo ótimo ou bom e 46% aprovando o trabalho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Entre os não endividados, o otimismo também se manifesta, com 39% prevendo benefícios para suas finanças pessoais e 73% apostando em um impacto positivo para a economia. Mesmo entre este grupo, os índices de aprovação do governo (30% ótimo/bom e 45% de aprovação presidencial) são inferiores à percepção sobre o programa Desenrola 2.0.
A pesquisa também identificou os perfis mais confiantes com o programa: jovens, moradores do Nordeste e eleitores do presidente Lula são os que mais esperam benefícios.
Os dados foram coletados entre os dias 12 e 13 de maio, com a participação de 2.004 eleitores com 16 anos ou mais. A margem de erro geral da pesquisa é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
O levantamento anterior do Datafolha, realizado em 18 de abril, já havia mapeado o cenário de endividamento no Brasil. Na ocasião, a pesquisa revelou que dois em cada três brasileiros possuem dívidas financeiras. Deste grupo, 41% contraíram empréstimos com amigos e familiares e não conseguiram honrar o compromisso.
A pesquisa de abril ouviu 2.002 pessoas entre os dias 8 e 9 de abril de 2026, com margem de erro de dois pontos percentuais. Naquele momento, 29% dos endividados relataram inadimplência no cartão de crédito, 26% em empréstimos bancários e 25% em carnês de lojas.
Um dos 'vilões' apontados pela pesquisa é o crédito rotativo, utilizado por 27% dos entrevistados, embora a maioria (22%) o faça de forma ocasional ou rara. Essa modalidade é acionada quando o cliente paga apenas o valor mínimo da fatura, resultando em juros elevados sobre o saldo restante.
A inadimplência em contas de consumo e serviços também é expressiva, afetando 28% dos entrevistados. As contas mais citadas incluem telefonia e internet (12%), tributos como IPTU e IPVA (12%), energia elétrica (11%) e água (9%). A imagem de brasileiros endividados, inclusive com amigos e familiares, reflete a dificuldade financeira que atinge grande parte da população.
A sensação de "aperto financeiro" é uma realidade para 45% da população, segundo o Datafolha. Deste grupo, 27% se declaram "apertados" e 18% em condição "severa". Outros 36% enfrentam uma situação moderada, enquanto apenas 19% não sentem restrições orçamentárias significativas. Para lidar com a escassez, estratégias como cortar lazer (64%), reduzir refeições fora de casa (60%) e trocar por marcas mais baratas (60%) são comuns. A redução na compra de alimentos (52%) e o corte de gastos com água, luz e gás (50%) também são reflexos dessa pressão econômica. Paralelamente, 40% deixaram contas vencerem e 38% suspenderam pagamentos de dívidas ou a compra de remédios, evidenciando o sufoco financeiro que se reflete diretamente nas preocupações pessoais, onde 37% apontam fatores financeiros como seu maior problema.
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