Decisão unânime

Câmara aprova prorrogação de aposentadoria compulsória

Deputada Bia Kicis na Câmara dos Deputados, defensora da prorrogação da aposentadoria compulsória.
Deputada federal Bia Kicis, relatora da proposta na Câmara dos Deputados.

Medida permite a cientistas e educadores estenderem suas carreiras por até 5 anos após os 75. Texto segue para análise do Senado.

Em uma decisão unânime, a Câmara dos Deputados aprovou o texto que regulamenta a aposentadoria compulsória, permitindo a prorrogação do vínculo por até cinco anos para profissionais de áreas estratégicas como ciência e educação. A medida, celebrada como um avanço na valorização do conhecimento técnico-científico e na manutenção de quadros especializados, busca garantir que a experiência acumulada por décadas não seja prematuramente descartada pela idade. A proposta, que agora avança para análise do Senado, representa um impacto significativo na vida de milhares de especialistas, oferecendo a eles a oportunidade de continuar contribuindo ativamente para o desenvolvimento do país e fortalecendo o sistema previdenciário.

O projeto estabelece as idades de 70 ou 75 anos como limite para a aposentadoria compulsória, com proventos calculados de forma proporcional ao tempo de contribuição, conforme prevê a Constituição Federal. A inovação está na permissão de prorrogação, que surge como resposta à necessidade de reter talentos e à dificuldade de reposição de quadros técnicos qualificados a curto prazo.

Proposto pela deputada federal Bia Kicis (PL-DF), o texto enfatiza que o conhecimento de profissionais altamente qualificados é um ativo valioso que o Brasil não pode se dar ao luxo de perder. A deputada argumentou que a permanência desses especialistas não só enriquece o país com sua experiência, mas também auxilia diretamente o sistema previdenciário, uma vez que eles continuam a contribuir, em vez de apenas receber benefícios.

Ao agradecer ao autor inicial da proposta, deputado Luiz Carlos Hauly (Podemos-PR), Kicis ressaltou que o Brasil "não pode abrir mão de cientistas que desenvolvem projetos há décadas". Ela citou como exemplo a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), alertando que a saída precoce de seus profissionais poderia prejudicar severamente o desenvolvimento tecnológico nacional e, por consequência, a produtividade em setores vitais.

A aprovação por unanimidade foi resultado de um intenso trabalho de articulação. A deputada Bia Kicis revelou que, antes da votação, existiam divergências consideráveis, mas o diálogo com as bancadas permitiu ajustes na redação, garantindo o consenso em torno de uma proposta benéfica para o país.

Prorrogação por até cinco anos: Os requisitos

A nova regra permite que empregados permaneçam em atividade mesmo após completarem 75 anos, desde que atuem em funções de ensino e técnico-científicas consideradas estratégicas para o desenvolvimento em áreas como ciência, tecnologia, inovação, saúde e educação. Para que essa prorrogação se concretize, o projeto detalha requisitos específicos:

  • É indispensável a autorização formal da administração superior da entidade.
  • Um parecer técnico fundamentado deve atestar o inequívoco interesse público e a relevância das atividades exercidas pelo profissional.
  • Um laudo médico detalhado precisa comprovar a plena capacidade física e mental do empregado para o exercício de suas funções.
  • O prazo de permanência, renovável anualmente, é estritamente limitado a um máximo de cinco anos após o 75º aniversário do profissional.

É importante destacar que a continuidade do vínculo não confere ao profissional direito à estabilidade, paridade ou integralidade. A permanência em atividade segue sendo regida pela CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) e pelo RGPS (Regime Geral de Previdência Social), garantindo que os direitos e deveres sejam mantidos dentro do arcabouço legal existente.

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