POLÊMICA NACIONAL
Zema propõe trabalho infantil e atrai críticas do governo
A fala do ex-governador de Minas Gerais, feita em 1º de maio de 2026, contraria leis vigentes e foi duramente rebatida pelo ministro Guilherme Boulos.
Romeu Zema, ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência pelo Novo, gerou intensa repercussão política ao defender o trabalho infantil no Brasil. Em entrevista concedida na última sexta-feira, 1º de maio de 2026, Dia do Trabalho, Zema argumentou que a "esquerda" criou uma visão "lamentável" de que o trabalho prejudica crianças, propondo a expansão de oportunidades de labor para adolescentes. Essa declaração contraria as claras proibições da Constituição Federal e da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), que visam proteger a dignidade, o desenvolvimento e o futuro dos menores.
Durante sua participação no podcast Inteligência Ltda., o ex-governador afirmou: "A esquerda criou essa noção de que trabalhar prejudica a criança. Lá fora, nos Estados Unidos, criança sai entregando jornal, recebe não sei quantos cents por cada jornal entregue no tempo que tem. Aqui, proibido, você está escravizando criança. É lamentável, mas tenho certeza que nós vamos mudar isso." Ele exemplificou sua visão ao comentar sua própria trajetória, revelando que começou a trabalhar aos 14 anos, auxiliando o pai em atividades como contagem e embalagem de peças. "Infelizmente, no Brasil, se criou essa ideia de que jovem não pode trabalhar. Eu sei que o estudo é prioritário, mas toda criança pode estar ajudando com questões simples, com questões que estão ao alcance dela," completou.
É fundamental ressaltar que a legislação brasileira estabelece restrições claras e protetivas ao trabalho infantil. A Constituição Federal proíbe o trabalho antes dos 16 anos, admitindo-o apenas na condição de aprendiz a partir dos 14 anos. A CLT complementa essa proteção ao determinar que o trabalho de menores não pode ocorrer em atividades ou ambientes que possam prejudicar seu desenvolvimento físico, psíquico, moral ou social, nem em horários que comprometam a frequência escolar, reafirmando o compromisso do país com os direitos fundamentais da criança e do adolescente.
Após a repercussão negativa da sua fala, Zema voltou ao tema em um vídeo divulgado nas redes sociais no sábado, 2 de maio de 2026. Ele defendeu que sua proposta busca ampliar oportunidades para adolescentes, destacando que “educação e trabalho digno é o que forma caráter, disciplina e futuro.” O ex-governador ressaltou que o modelo de aprendizagem já existe no país para maiores de 14 anos, mas defendeu sua expansão "com proteção, sem atrapalhar a escola." "Vamos parar com essa hipocrisia," disse. "Milhões de jovens já trabalham hoje, mas na informalidade, sem regra, sem nenhuma proteção. Somos um país que finge que protege os jovens e as crianças. Essa é que é a verdade. E eu não tenho medo de dizer isso não."
Ele também relacionou o tema à vulnerabilidade social dos adolescentes, argumentando: "Quando um adolescente não encontra o caminho da educação e do trabalho, sabe quem é que oferece oportunidade para ele? O crime. As facções já têm um plano de carreira prontinho para recrutar os adolescentes. Então a escolha é muito simples, ou a gente vira as costas e deixa o jovem à própria sorte, ou a gente abre as portas para ele aprender a trabalhar de forma honesta e construir o seu futuro."
A declaração do ex-governador provocou forte reação de integrantes do governo. O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, criticou a fala nas redes sociais, afirmando: "O cidadão que faz isso no Dia do Trabalhador vai além: dá sérios sinais de ser um psicopata. O nome dele é Romeu Zema."
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