REFORMA PREVIDENCIÁRIA URGENTE
Zema propõe aumento no tempo de contribuição para aposentadoria e busca ampliar programa Jovem Aprendiz
Pré-candidato à Presidência quer aumentar tempo de contribuição e manter garantia de valores do BPC, além de propor expansão do Jovem Aprendiz.
Um plano ambicioso para a Previdência Social no Brasil foi apresentado nesta segunda-feira, 04 de maio de 2026, pelo pré-candidato do Novo à Presidência, Romeu Zema. Durante entrevista ao UOL, o ex-governador de Minas Gerais revelou sua intenção de propor uma reforma que aumentaria o tempo de contribuição para a aposentadoria, e que pode, inclusive, elevar a idade mínima para milhões de trabalhadores. A iniciativa, segundo Zema, é crucial para adaptar o sistema à crescente expectativa de vida da população, buscando garantir a sustentabilidade de um pilar fundamental para a dignidade e o futuro de incontáveis famílias brasileiras.
Zema argumentou que a reforma aprovada em 2019, durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), já não atende às necessidades atuais do país. Ele enfatizou que o aumento da longevidade dos brasileiros exige um novo olhar sobre as regras de aposentadoria. "Viver três anos a mais e ter de trabalhar mais seis meses, eu acho que é uma bênção até", declarou, reiterando sua convicção de que a adaptação é um "processo de agradecer a Deus" pela vida prolongada.
Atualmente, homens precisam ter 65 anos de idade e 20 anos de contribuição para se aposentar, enquanto mulheres exigem 62 anos e 15 anos de contribuição. Existem regras de transição para aqueles que já contribuíam ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) antes da mudança de 2019. O pré-candidato, contudo, não cravou a alteração da idade mínima, afirmando que a decisão dependeria de "cálculos e projeções" atuariais, mas que o tempo de contribuição certamente precisaria aumentar.
Além das propostas para o regime geral, Zema também defendeu mudanças nas regras de reajuste de aposentadorias e do BPC (Benefício de Prestação Continuada), que hoje estão vinculadas ao salário mínimo. Embora não tenha especificado qual seria a nova metodologia, ele assegurou que o aposentado "não terá perda" em seus rendimentos, buscando tranquilizar aqueles que dependem desses benefícios para sua subsistência.
Ainda na mesma entrevista ao UOL, o ex-governador aproveitou para contextualizar sua polêmica fala anterior sobre trabalho infantil. Em 1º de maio de 2026, no podcast Inteligência Ltda., Zema havia afirmado que "a esquerda criou essa noção de que trabalhar prejudica a criança" e que tal visão seria alterada no país.
No entanto, ao UOL, ele esclareceu que sua intenção é, na verdade, ampliar o programa Jovem Aprendiz. "O que eu quis dizer é o seguinte: nós temos no Brasil, hoje, o programa Jovem Aprendiz. Nós temos muitos jovens trabalhando, mas é um número muito pequeno ainda", explicou. Zema defendeu que muitas crianças de 14 e 15 anos são impedidas de participar devido à burocracia e à limitação do programa. Ele propôs que todas as escolas estaduais pudessem disponibilizar alunos com boas notas para o programa, o que estimularia o desempenho acadêmico. "O estudo é um ótimo caminho, isso tem que ficar muito claro, mas pode ser complementado com o salário", pontuou, visando uma formação mais integrada.
O pré-candidato criticou o modelo atual por ser limitado em cidades menores, onde exige a presença do Sistema S ou de instituições homologadas pelo Ministério do Trabalho para a operacionalização do Jovem Aprendiz. É importante lembrar que, pela Constituição Federal, a idade mínima para o trabalho no Brasil é de 16 anos, com a exceção da aprendizagem, permitida a partir dos 14 anos, desde que o jovem esteja matriculado na escola e a jornada seja compatível com os estudos e focada na formação profissional.
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