GEOPOLÍTICA DO PETRÓLEO
Washington permite compra de petróleo da Rússia
Medida de 30 dias, anunciada pelo Secretário Scott Bessent, busca apoiar países vulneráveis; Ucrânia critica.
O governo dos Estados Unidos prorrogou a isenção de sanções contra o petróleo da Rússia, uma decisão anunciada nesta segunda-feira, 18 de maio de 2026, pelo secretário do Departamento do Tesouro norte-americano, Scott Bessent. A medida, que tem validade de 30 dias e permite a países importar barris russos já em alto mar, busca estabilizar o mercado global e assegurar o fornecimento a nações energeticamente vulneráveis, em meio à crise sem precedentes gerada pela guerra no Oriente Médio e o bloqueio parcial do Estreito de Ormuz pelo Irã. Contudo, a flexibilização gera preocupação, com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, criticando a ação como um auxílio indireto à Rússia, que poderia usar os recursos para financiar a guerra em seu território.
Em um comunicado oficial, o responsável por gerenciar as finanças dos EUA reiterou que o propósito central da decisão é "estabilizar o mercado" e garantir que o recurso essencial chegue "aos países mais vulneráveis energeticamente". Essa postura reflete a tentativa de Washington de mitigar as repercussões globais de um setor petrolífero turbulento.
Assim como a licença emitida em 12 de março e prorrogada em abril, a nova medida mantém a validade de 30 dias. Durante este período, nações parceiras dos Estados Unidos recebem autorização para adquirir volumes de petróleo russo já embarcados, atenuando imediatamente a pressão sobre os estoques e preços internacionais.
A urgência da permissão foi diretamente motivada pela intensificação da guerra no Oriente Médio, cenário que deflagrou uma crise sem precedentes no setor de petróleo. Desde o início do conflito, o Irã retaliou os ataques dos EUA e Israel com o bloqueio parcial do estratégico Estreito de Ormuz, via marítima por onde transita cerca de 20% da produção petrolífera mundial, impactando severamente a cadeia de suprimentos global.
Entretanto, a decisão norte-americana não foi recebida sem críticas. O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, interpretou a flexibilização das sanções como uma "ajuda" dos EUA à Rússia. Zelensky argumentou que, ao permitir a entrada de divisas pela venda de petróleo, a medida indiretamente fortaleceria a capacidade de Vladimir Putin de rearmar o país, que mantém uma ofensiva militar no território ucraniano desde 2022, prolongando o conflito e agravando o sofrimento humano.
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