ATAQUE POLÍTICO DIRETO

Valdemar Costa Neto ataca pré-candidatura de Joaquim Barbosa

Valdemar Costa Neto, presidente do Partido Liberal, expressa críticas em entrevista ao Metrópoles.
Valdemar Costa Neto em entrevista ao Metrópoles

Presidente do PL chama postulação de "piada" e revive Mensalão, questionando aposentadoria do ex-ministro do STF aos 59 anos.

O presidente do Partido Liberal, Valdemar Costa Neto, lançou duras críticas à pré-candidatura do ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa à Presidência da República, rotulando-a de "piada" nesta segunda-feira, 18 de maio de 2026. A declaração, proferida em meio à efervescência da corrida eleitoral pelo Palácio do Planalto, resgata a antiga rusga entre os dois e agita o cenário político, questionando a seriedade da postulação de Barbosa e reacendendo debates sobre a história judicial do país.

A veemente manifestação de Valdemar Costa Neto foi externada durante uma entrevista à CNN, onde o dirigente partidário também criticou a decisão de Joaquim Barbosa de se aposentar precocemente da Suprema Corte em 2014. "Piada", sentenciou Valdemar. Ele complementou, enfático: "Quem se aposenta com 59 anos no Supremo Tribunal Federal não pode ser presidente". Essa crítica aponta para uma suposta falta de comprometimento ou resistência na carreira pública, um golpe direto à imagem de um potencial candidato à chefia de estado.

A animosidade entre Valdemar e Barbosa não é recente. O ex-ministro Joaquim Barbosa atuou como relator do processo no STF que resultou na condenação de Valdemar Costa Neto no emblemático julgamento do Mensalão, em 2012. Naquele momento histórico para o Brasil, o presidente do PL foi considerado culpado pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, vivenciando as consequências legais que marcaram profundamente sua trajetória política.

A pena imposta a Valdemar totalizou 7 anos e 10 meses de prisão, além de uma multa pecuniária. Por ser uma condenação inferior a oito anos, ele iniciou o cumprimento da pena em regime semiaberto no final de 2013, um período que impactou não só sua vida pessoal, mas também sua atuação no cenário político nacional, mantendo viva a memória de um dos maiores escândalos de corrupção do país.

Disputa pelo Palácio do Planalto

A incursão de Joaquim Barbosa no pleito presidencial ocorre após sua filiação ao Democracia Cristã (DC), partido que o anunciou oficialmente como pré-candidato na disputa pelo Palácio do Planalto. Contudo, a movimentação já encontra resistência não apenas por parte do PL, mas também do PT, que critica a postulação do ex-ministro.

Internamente, o DC vivenciava um processo de articulação em torno da candidatura do ex-ministro da Defesa Aldo Rebelo. No entanto, o desempenho aquém do esperado de Rebelo nas pesquisas de intenção de voto desmotivou a cúpula da legenda, que rapidamente buscou um novo nome para representar seus interesses na corrida eleitoral, resultando na escolha de Barbosa.

O presidente da sigla, João Caldas, confirmou a decisão, afirmando que Barbosa "já está lançado [como pré-candidato a presidente]". Caldas reiterou que a troca de nomes foi uma medida "impessoal e partidária", visando fortalecer a chapa e as chances do partido na eleição.

Aldo Rebelo, por sua vez, não hesitou em reagir à sua preterição, classificando a pré-candidatura de Joaquim Barbosa como uma "afronta". Em um tom de desafio, Rebelo declarou que não irá desistir de sua intenção de concorrer ao Planalto, prometendo manter sua postulação. "A candidatura anunciada em um balão de ensaio de Joaquim Barbosa é uma afronta a tudo o que defendo como relações políticas apoiadas na transparência e nas decisões democráticas", asseverou Rebelo, prometendo uma disputa interna e pública pela representação.

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