URGÊNCIA SANITÁRIA
Vacina britânica contra Ebola em desenvolvimento pela Universidade de Oxford pode estar pronta para testes em meses
Tecnologia adaptável usada contra Covid-19 é a base para novo imunizante contra variante rara do vírus Ebola. OMS eleva risco de surto para 'muito alto' na República Democrática do Congo.
Vacina britânica contra Ebola em desenvolvimento pela Universidade de Oxford pode estar pronta para testes em meses
Cientistas da Universidade de Oxford, no Reino Unido, estão avançando no desenvolvimento de uma nova vacina contra o vírus Ebola. A expectativa é que o imunizante experimental esteja pronto para testes clínicos em um prazo de dois a três meses, oferecendo uma potencial ferramenta crucial para combater a emergência sanitária em curso.
A decisão de acelerar o desenvolvimento surge em resposta ao surto atual, concentrado na República Democrática do Congo, que já contabiliza 750 casos suspeitos e 177 mortes. A variante Bundibugyo do Ebola, responsável por este surto, é rara e até então não possuía vacinas validadas, apresentando uma taxa de mortalidade de aproximadamente um terço dos infectados.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) reclassificou o risco do surto na República Democrática do Congo de "alto" para "muito alto", após declarar emergência de saúde pública de interesse internacional em 17 de maio de 2026. Embora o risco global permaneça baixo, a situação regional exige atenção e medidas rápidas.
A nova vacina de Oxford emprega a tecnologia adaptável ChAdOx1, a mesma utilizada no desenvolvimento de vacinas contra a Covid-19. Essa plataforma utiliza um vírus de resfriado comum, geneticamente modificado para ser seguro em humanos, transportando material genético da variante Bundibugyo do Ebola. O objetivo é ensinar o sistema imunológico a reconhecer e combater o vírus sem causar infecção ou sintomas da doença.
Testes em animais já estão em andamento em Oxford. Assim que o material atingir o padrão farmacêutico, o Serum Institute da Índia iniciará a produção em larga escala. A professora Teresa Lambe, diretora de imunologia de vacinas do Oxford Vaccine Group, destacou a importância de agir rapidamente, mesmo com a esperança de que o rastreamento de contatos e a quarentena sejam suficientes para conter o surto.
O vírus Bundibugyo é menos comum que outras variantes, como a Zaire, para a qual já existem vacinas. Ele causou apenas dois surtos anteriores em Uganda (2007) e na República Democrática do Congo (2012), e não era detectado há mais de uma década. A estratégia de vacinação prevista é a "vacinação em anel", focando em indivíduos de alto risco, como contatos próximos de pacientes e profissionais de saúde.
O Ebola é uma doença viral rara e mortal, transmitida pelo contato com fluidos corporais de animais infectados (geralmente morcegos) ou de pessoas doentes. Os sintomas iniciam subitamente com febre, dor de cabeça e cansaço, evoluindo para vômitos, diarreia e, em alguns casos, hemorragias. A propagação ocorre por contato direto com fluidos corporais infectados.
Em resposta ao surto, o governo da República Democrática do Congo, a OMS e a organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) implementaram medidas de contenção, incluindo centros de tratamento e equipamentos de proteção para equipes de saúde. Recomendações aos residentes incluem isolamento de sintomas, evitação de contato com corpos e animais mortos, cozimento adequado de alimentos e distanciamento social.
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