DEMOGRAFIA E POLÍTICA

Javier Milei associa legalização do aborto à queda da natalidade na Argentina

Javier Milei discursando em conferência
O presidente da Argentina, Javier Milei, durante evento do Conselho das Américas - Foto:Gabriel Luengas/Europa Press via Getty Images

Presidente argentino contesta impacto da lei vigente desde 2021 sobre o crescimento populacional e o sistema previdenciário do país.

O presidente da Argentina, Javier Milei, atribuiu a queda nas taxas de natalidade do país à legalização da interrupção voluntária da gravidez. O posicionamento foi manifestado em discurso proferido nesta quinta-feira (20/8) durante evento realizado pelo Conselho das Américas.

Durante sua fala, o mandatário argumentou que o país enfrenta dificuldades para atingir níveis de crescimento populacional que garantam a reposição geracional. Na visão do presidente, a prática do aborto gera consequências diretas na economia e na sustentabilidade do sistema previdenciário a longo prazo.

A interrupção da gestação é permitida legalmente no território argentino desde janeiro de 2021, garantindo o procedimento de forma gratuita até a 14ª semana pelo sistema público de saúde. Após este período, a legislação reserva o direito apenas para casos de estupro ou riscos à saúde da gestante.

Dados do Ministério da Saúde indicam que a trajetória de declínio nos nascimentos precede a legislação atual, registrando queda constante desde 2014. Atualmente, a média no país é de 1,4 filho por mulher, um fenômeno que reflete uma tendência observada globalmente.

O Fundo de População das Nações Unidas (Unfpa) aponta que a baixa fertilidade é um desafio complexo, impulsionado por incertezas econômicas e desigualdades sociais. Enquanto a média global de fecundidade está em 2,2 filhos por mulher, especialistas ressaltam que as pressões socioeconômicas desempenham um papel central na decisão de planejamento familiar.

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