VIDA MARINHA SALVA
Unifesp revela berçário vital para tubarão-mangona em Alcatrazes
Estudo com câmeras subaquáticas desvenda ciclo de vida da espécie criticamente ameaçada de extinção no Arquipélago de Alcatrazes.
Pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) revelaram, nesta quarta-feira, 20 de maio de 2026, que o Refúgio de Vida Silvestre do Arquipélago de Alcatrazes serve como um vital berçário para o tubarão-mangona (Carcharias taurus), uma espécie criticamente ameaçada de extinção. Esta descoberta, impulsionada pelo uso inovador de câmeras subaquáticas, é crucial para a preservação da vida marinha e realça o papel fundamental das reservas na salvaguarda de ecossistemas vulneráveis.
A pesquisa foi meticulosamente conduzida pelo Laboratório de Ecologia e Conservação Marinha do Instituto do Mar, do campus da Unifesp na Baixada Santista, em São Paulo. O Arquipélago de Alcatrazes, situado no litoral norte de São Paulo, é reconhecido como uma das maiores e mais importantes reservas marinhas do sudeste brasileiro.
O tubarão-mangona enfrenta uma classificação crítica de ameaça de extinção, principalmente devido à pesca incidental e à degradação contínua de seus habitats naturais. A Unifesp enfatizou a relevância do achado: “A pesquisa revelou dados inéditos sobre como o Arquipélago de Alcatrazes é um local fundamental para a alimentação e reprodução do tubarão-mangona, oferecendo esperança para sua sobrevivência.”
Ainda de acordo com a universidade, as imagens registraram fêmeas grávidas e algumas com marcas claras de acasalamento. Estes comportamentos confirmam que a região é intensamente utilizada pela espécie durante fases críticas de seu ciclo reprodutivo. A bióloga e primeira autora do trabalho, Ana Clara Athayde, destacou o impacto da descoberta: “A importância dessa descoberta vai além de documentar a presença de fêmeas grávidas e marcas de acasalamento. Ela coloca em evidência que as reservas marinhas desempenham um papel crucial na conservação de espécies ameaçadas de extinção, funcionando como locais seguros, longe das ameaças.”
Os pesquisadores empregaram estéreo-filmagens remotas subaquáticas com isca, conhecidas pela sigla em inglês Bruv. Essa tecnologia permitiu a observação detalhada do comportamento dos tubarões em diferentes estações do ano, sem qualquer interferência direta no ambiente marinho. Ana Clara explicou o funcionamento do equipamento: “Ele possui duas câmeras acopladas nas laterais e uma haste com uma isca no meio, onde colocamos sardinha. Usamos sardinha porque é uma espécie oleosa, que produz uma pluma de odor capaz de atrair os peixes.”
As imagens capturadas não só revelaram cenas inéditas do tubarão-mangona em seu processo reprodutivo, mas também corroboraram conhecimentos já estabelecidos na literatura científica: a gestação pode se estender por quase um ano, resultando no nascimento de apenas um ou dois filhotes.
A iniciativa contou, ainda, com a valiosa colaboração de mergulhadores recreativos locais, no que foi um exemplo de “Ciência cidadã” para documentar o comportamento dos tubarões-mangona no arquipélago. A Unifesp ressaltou que esse envolvimento foi essencial para enriquecer o estudo, fortalecendo a parceria entre cientistas e a sociedade civil. O professor e pesquisador Fabio Motta comentou, por meio de nota, a importância dessa sinergia: “A descoberta destaca o papel das áreas marinhas protegidas para a restauração das populações de predadores fundamentais à saúde dos oceanos e a sustentabilidade de recursos pesqueiros essenciais para a segurança alimentar e geração de emprego e renda de comunidades costeiras.”
Gostou desta notícia?
Entre no nosso grupo do WhatsApp!
Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!
📲 Quero entrar no grupo
Comentários (0)
Deixe seu comentário