VETO EUROPEU AGORA

União Europeia veta carne do Brasil por regras sanitárias

Pedaços de carne bovina crus, ilustrando o comércio internacional de carne.
Carne bovina - Foto: David Foodphototasty na Unsplash

Medida entra em vigor em 3 de setembro, afetando o terceiro maior destino da carne bovina brasileira. O país era autorizado em 2024.

A União Europeia (UE) decidiu, nesta terça-feira, 12 de maio de 2026, excluir o Brasil de sua lista de países autorizados a exportar carne para o bloco a partir de 3 de setembro. A medida foi tomada após a avaliação de que o país não fornece garantias suficientes quanto ao não uso excessivo de produtos antimicrobianos na pecuária, um requisito essencial das rigorosas normas sanitárias europeias. Esta decisão representa um golpe significativo para o agronegócio brasileiro, afetando um dos principais destinos de sua produção de carne e levantando preocupações sobre a adequação às exigências internacionais e o impacto na dignidade dos produtores rurais.

A lista, validada pelos países europeus, estabelece quais nações poderão continuar exportando carne para a Europa. Anteriormente, na versão de 2024, o Brasil constava como um exportador autorizado para o bloco. A agência de notícias France Presse destacou que a UE justificou a exclusão pela falta de garantias do Brasil no controle do uso de antimicrobianos, substâncias empregadas no tratamento e prevenção de infecções em animais.

O impacto econômico para o Brasil é considerável. Conforme dados do Agrostat, sistema do Ministério da Agricultura, a União Europeia figura como o terceiro maior destino da carne bovina brasileira em valor exportado, atrás apenas da China e dos EUA. Para o total de carnes, o bloco é o segundo maior mercado, superado somente pela China. Essa mudança pode significar perdas financeiras substanciais para a cadeia produtiva nacional.

O comissário europeu para a Agricultura, Christophe Hansen, reforçou a postura da UE. "Nossos agricultores seguem alguns dos padrões de saúde e antimicrobianos mais rigorosos do mundo. Portanto, é legítimo que os produtos importados estejam sujeitos aos mesmos requisitos. A decisão tomada hoje demonstra que o sistema europeu de controle funciona", afirmou Hansen.

As normas europeias proíbem o uso de antimicrobianos em animais para promover crescimento ou aumentar a produção, além de vedar o tratamento com antimicrobianos reservados para infecções humanas. Tais medidas são parte fundamental da política europeia de combate à resistência dos micróbios aos medicamentos, visando evitar o uso desnecessário de antibióticos e proteger a saúde pública.

A exclusão do Brasil da lista levanta um alerta sobre a necessidade de adequação às normativas sanitárias internacionais cada vez mais rígidas e o compromisso com a produção sustentável e segura, impactando diretamente a reputação do país no comércio global de alimentos.

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