CRISE NA VENEZUELA
Um mês após terremotos, Venezuela lida com desaparecidos e danos bilionários
Tragédia deixa rastro de destruição com custo de reconstrução estimado em US$ 19,6 bilhões. Governo enfrenta críticas por falhas na resposta e falta de planejamento.
Equipes de resgate e famílias mantêm as buscas por vítimas entre os escombros um mês após os terremotos que devastaram o norte da Venezuela, tragédia que completou um marco desolador nesta sexta-feira (24). A incerteza sobre o paradeiro de centenas de pessoas persiste, enquanto o país enfrenta um desafio monumental para a reconstrução das áreas atingidas.
Os dois tremores, de magnitudes 7,2 e 7,5, ocorreram em 24 de junho, configurando o desastre natural mais grave da história recente do país. O balanço oficial aponta mais de 5 mil mortos e 17 mil feridos, embora o governo admita que o número de vítimas fatais possa ultrapassar 10 mil. Dados indicam que 190 edifícios ruíram totalmente e cerca de mil outras estruturas foram severamente comprometidas, mantendo ao menos 20 mil pessoas em abrigos provisórios.
Embora as chances de encontrar sobreviventes sejam mínimas, voluntários insistem nos trabalhos em La Guaira, a região mais castigada. A angústia das famílias é agravada pela criação de um cemitério de emergência, onde muitos corpos foram sepultados sem identificação ou despedida dos entes queridos. Paralelamente, uma plataforma pública de busca indica que quase 30 mil pessoas ainda não foram localizadas por seus familiares.
O impacto financeiro é alarmante. Uma avaliação do Banco Mundial estima danos físicos diretos em US$ 19,6 bilhões (R$ 100 bilhões). Caso sejam consideradas melhorias estruturais e obras de prevenção, esse montante pode atingir US$ 50 bilhões (R$ 255 bilhões). A crise é acentuada pela fragilidade econômica anterior, que já atingia 76% da população venezuelana. Para auxiliar nos custos, o governo anunciou o saque de US$ 346 milhões junto ao Fundo Monetário Internacional (FMI).
A gestão da crise tem gerado controvérsias. Uma investigação da Reuters aponta que a falta de um plano de contingência, a lentidão na emissão de ordens e a descoordenação entre órgãos atrasaram as operações críticas nas primeiras 48 horas. A presidente interina Delcy Rodríguez refutou as críticas, sustentando que a resposta governamental foi imediata e organizada.
A negligência com alertas passados também entra em debate. Há mais de 20 anos, um estudo técnico de uma agência do Japão já recomendava reforços em 180 mil edifícios e a criação de sistemas de alerta precoce. Especialistas afirmam que o cumprimento dessas diretrizes teria evitado a maior parte das mortes.
Em meio à dor, símbolos de esperança ganharam o mundo. O resgate de uma menina, que manteve a calma durante o socorro, e a atuação do cão Tsunami — veterano de missões na Turquia e na Síria — tornaram-se o rosto da resiliência em um cenário de profunda perda.
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