POLÍTICA COMERCIAL EXTERNA

Governo de Donald Trump impõe nova tarifa de 12,5% sobre produtos do Brasil

Donald Trump durante coletiva de imprensa na Base Aérea de Andrews.
O presidente dos EUA, Donald Trump, conversa com a imprensa ao chegar à Base Aérea Conjunta Andrews, em Maryland, nos EUA — Foto: Evan Vucci / Reuters

A medida, anunciada nesta quinta-feira (23), eleva a carga tributária para diversos setores e impacta diretamente a competitividade do mercado nacional no exterior.

O governo de Donald Trump confirmou a imposição de uma nova tarifa de 12,5% sobre diversos produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos. A medida, oficializada nesta quinta-feira (23), tem validade a partir de 0h01 desta sexta-feira (24), no horário de Washington, gerando um cenário de incerteza para exportadores e trabalhadores de diversos setores produtivos.

A decisão baseia-se em uma investigação realizada sob a Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, que aponta supostas práticas comerciais desleais por parte do Brasil relacionadas à fiscalização de mercadorias produzidas com trabalho forçado. A imposição, que não permite recurso imediato na esfera administrativa americana, soma-se a uma taxa anterior de 25%, elevando a alíquota total para até 37,5% em itens específicos.

O Palácio do Planalto manifestou descontentamento com o anúncio e informou que adotará medidas diplomáticas e jurídicas, incluindo o acionamento da Lei da Reciprocidade e a abertura de disputas no mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Segundo a Câmara Americana de Comércio no Brasil (Amcham), a nova taxa atingirá cerca de 3 mil produtos, representando um montante de US$ 12,5 bilhões em exportações anuais. Setores como calçados, máquinas e equipamentos figuram entre os mais afetados, enquanto itens essenciais como petróleo, café e carne bovina seguem isentos.

O especialista em comércio exterior Jackson Campos alerta que a complexidade logística e fiscal aumentou significativamente. "O empresário brasileiro precisará agora dominar minuciosamente a classificação fiscal americana para sobreviver a essa nova dinâmica de custos", avalia.

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