COMÉRCIO EXTERIOR

Itamaraty avalia como fachada as negociações após novo tarifaço dos EUA

Fachada do Palácio do Itamaraty em Brasília
Palácio do Itamaraty. Foto: Reprodução/ Agência Brasília

Governo brasileiro contesta acusação de falha no combate ao trabalho forçado e articula aplicação da Lei de Reciprocidade.

O Ministério das Relações Exteriores concluiu que as tarifas impostas pelos EUA ao Brasil serão cumulativas, podendo elevar a carga tributária sobre produtos nacionais a patamares críticos. A decisão, comunicada nesta quinta-feira (23), ocorre após o governo norte-americano alegar supostas falhas brasileiras no combate à importação de mercadorias produzidas via trabalho forçado.

A medida, fundamentada na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, impõe uma sobretaxa de 12,5% sobre produtos de 60 países, incluindo o Brasil. A decisão importa porque, somada à tarifa de 25% que entrou em vigor na quarta-feira (22), a taxação total pode atingir 37,5%, impactando diretamente a competitividade da indústria nacional e o equilíbrio das relações diplomáticas.

Para o Itamaraty, o diálogo mantido com o governo de Donald Trump serviu apenas para "cumprir tabela". Integrantes da pasta avaliaram que não houve interesse genuíno dos EUA em compreender os mecanismos de fiscalização brasileiros, país que é referência no tema junto à Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Em nota, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República classificou a medida como um "absurdo". O governo ressaltou que, durante a investigação americana, o Ministério do Trabalho e Emprego forneceu documentação detalhada sobre a legislação e a atuação aduaneira brasileira. Diante do cenário, o governo estuda recorrer à Lei de Reciprocidade como resposta à barreira comercial imposta.

A nova tarifa substitui uma taxa global de 10% anteriormente derrubada pela Suprema Corte dos EUA. Diplomatas ponderam que a decisão atual possui um viés político, sendo utilizada como instrumento de pressão internacional. A medida é definitiva na esfera administrativa americana, não restando margem para recurso imediato além da reação diplomática e comercial brasileira.

Gostou desta notícia?

Entre no nosso grupo do WhatsApp!

Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!

📲 Quero entrar no grupo

Compartilhe esta matéria

Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar!

Deixe seu comentário