BATALHA POLÍTICA
Uern vira palco de embate entre Cadu Xavier e Álvaro Dias
Pré-candidato do PT critica proposta de federalização/privatização e defende instituição como pilar social.
Cadu Xavier (PT), pré-candidato ao Governo do Rio Grande do Norte, intensificou nesta quinta-feira, 14 de maio de 2026, o embate político contra Álvaro Dias (PL) ao usar a defesa da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern) como estratégia eleitoral. Em declarações, Cadu interpretou a discussão levantada por Álvaro sobre a federalização ou privatização da Uern como um reflexo do pensamento da "classe dominante" e da "elite" potiguar, que vê a instituição como um fardo, e não como um pilar de transformação social. Esta polarização coloca em xeque o futuro da educação superior pública no estado, com impactos diretos na vida de milhares de estudantes potiguares.
A fala de Cadu ocorreu após um evento do campo progressista em Mossoró, focado na defesa da Uern. O ato, que reuniu líderes políticos, professores, servidores, estudantes e membros da comunidade acadêmica, foi uma resposta às declarações de Álvaro Dias em uma entrevista na cidade, onde ele não descartou o debate sobre possíveis alterações no modelo de gestão da universidade.
“Esse evento nasce das declarações de um dos pré-candidatos ao governo falando em privatização, falando em federalização da Uern”, reiterou Cadu. “Nós, do campo progressista, nós que temos compromisso com a Uern, compromisso histórico, fizemos esse movimento em prol da universidade.”
Para o pré-candidato petista, a relevância da Uern reside em seu papel fundamental para estudantes de origem popular, com 80% dos alunos vindos da rede pública estadual. Esse dado, segundo Cadu, explica a resistência de setores conservadores em manter e fortalecer a instituição como uma universidade pública estadual, essencial para a mobilidade social.
“A Uern não é um peso. É uma ferramenta de transformação da vida do povo do nosso Estado”, enfatizou. “Oitenta por cento dos alunos da Uern são provenientes da rede pública estadual, ou seja, filhos de trabalhador, filhos de agricultor. E essas classes dominantes não aceitam isso, por isso tentam desvalorizar a instituição.”
Cadu defende que a visão expressa por Álvaro não é isolada, mas parte de uma perspectiva histórica de setores políticos do Estado. Ele traçou paralelos com governos anteriores, mencionando períodos de tensão entre servidores da Uern e gestões passadas. Em contrapartida, destacou que o governo Fátima Bezerra (PT) adotou uma abordagem de diálogo e fortalecimento institucional para com a universidade.
O ex-secretário estadual da Fazenda sublinhou duas conquistas marcantes da gestão Fátima para a universidade: a autonomia financeira da UERN e o fim da lista tríplice na escolha da reitoria. Para Cadu, essas ações comprovam que o campo governista não se limita a discursos na defesa da educação pública.
“A Uern, no governo da professora Fátima, teve duas conquistas históricas. Primeiro, a autonomia, a sonhada autonomia financeira da Uern. Depois, o fim da lista tríplice, respeitando a democracia da comunidade acadêmica, garantindo maior participação nas decisões”, declarou.
A tática de Cadu é posicionar a Uern como um divisor de águas entre dois projetos políticos distintos. De um lado, ele busca associar o PT e seus aliados à defesa intransigente da educação pública, da autonomia universitária e da inclusão social. Do outro, procura caracterizar Álvaro Dias como um representante de uma visão elitista, distante da maioria da população que depende da universidade pública para ter acesso ao ensino superior de qualidade.
Cadu também diferenciou sua postura da de Allyson Bezerra (União Brasil), que igualmente se manifestou em defesa da Uern após as falas de Álvaro. Questionado sobre a similaridade dos discursos, o pré-candidato do PT enfatizou que a diferença está nas ações concretas.
Segundo Cadu, Allyson teria aderido à defesa da universidade apenas após a repercussão negativa das declarações de Álvaro. O petista argumentou que, enquanto o governo Fátima valorizou servidores e professores da Uern, Allyson teria mantido uma relação mais hostil com os servidores municipais durante sua gestão em Mossoró.
“O discurso é muito fácil. Até porque ele viu a repercussão negativa que deu a fala do ex-prefeito de Natal”, afirmou Cadu. “O nosso discurso é casado com ações. Nós demos autonomia à Uern, nós acabamos com a lista tríplice, nós fortalecemos a democracia da comunidade acadêmica, o que é um compromisso real.”
Adicionalmente, Cadu defendeu que os desafios fiscais do Estado não devem ser superados por meio de ataques a categorias do serviço público ou à própria universidade. Ao abordar os limites de gastos com pessoal e a Lei de Responsabilidade Fiscal, ele sugeriu que o caminho é impulsionar o crescimento econômico, controlar a expansão da folha e ampliar a capacidade de investimento do Estado.
Na mesma entrevista, Cadu reiterou sua intenção de disputar a eleição como o nome oficial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Rio Grande do Norte. Ele declarou que a chapa progressista representará o “time de Lula” e projetou sua presença no segundo turno. Para Cadu, a eleição estadual tende a se polarizar entre esquerda e direita, mas com a participação de mais de um nome no campo oposicionista.
“Nessa discussão, todo mundo tem lado. A gente tem o Cadu de Lula, temos o Álvaro Dias de Bolsonaro e temos o Allyson Bezerra de Robinson Faria e José Agripino”, concluiu.
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