INTEGRIDADE DO PLEITO

TSE debate novas regras para o uso de IA e deepfakes nas eleições

Ministro Kassio Nunes Marques em sessão no tribunal.
Ministro Kassio Nunes Marques preside reunião para definir regras sobre uso de inteligência artificial no pleito.

Corte avalia proibição total da tecnologia em campanhas após uso de avatar de Jair Bolsonaro por Flávio Bolsonaro

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) se reúne para discutir o alcance das normas que regem o uso de inteligência artificial (IA) e deepfakes nas eleições de 2026, com o objetivo de fixar diretrizes claras e punições para as campanhas. O encontro, realizado nesta terça-feira (18/8), foi convocado pelo presidente da Corte, ministro Kassio Nunes Marques, diante da necessidade de balizar o impacto dessas tecnologias na integridade da disputa eleitoral.

A iniciativa ganha urgência após a veiculação de um vídeo na convenção do PL, em 25 de julho, que utilizou um avatar de Jair Bolsonaro. Na peça, a imagem sintética do ex-presidente afirma estar "preso e calado" por uma decisão arbitrária, enquanto apela ao sentimento de esperança dos eleitores para apoiar a candidatura de Flávio Bolsonaro ao Planalto.

Internamente, o tribunal apresenta duas correntes de pensamento: uma parcela dos ministros defende o veto integral à ferramenta de manipulação, argumentando ser impossível mensurar os danos à percepção do eleitor, enquanto outra vertente sugere que a proibição recaia apenas sobre materiais contendo desinformação comprovada. Informações de bastidores indicam que Kassio Nunes Marques, anteriormente cauteloso, estaria propenso a apoiar o veto às deepfakes em campanhas presidenciais.

O PT e a Federação Brasil da Esperança (PT, PV e PCdoB) acionaram tanto o Supremo Tribunal Federal (STF) quanto a Justiça Eleitoral. As siglas pleiteiam a retirada de conteúdos irregulares, a proibição de novas divulgações sob pena de multa de R$ 30 mil e a intervenção do YouTube. O caso, que também toca questões de descumprimento de medidas cautelares impostas a Jair Bolsonaro, está sob relatoria da ministra Estela Aranha no TSE e sob monitoramento do ministro Alexandre de Moraes no STF.

A defesa de Flávio Bolsonaro argumenta que o uso de IA em disputas políticas não pode ser vedado. Já a defesa de Jair Bolsonaro informou ao tribunal, por meio de manifestação solicitada por Alexandre de Moraes, que o ex-presidente não autorizou o uso de sua imagem e voz no material produzido pelo partido.

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