REPRESENTATIVIDADE NA POLÍTICA

Candidaturas LGBT+ nas eleições de 2026 somam 2,35% do total no Brasil

Arte gráfica exibindo percentual de candidaturas LGBT+ nas eleições de 2026.
Candidaturas de pessoas bissexuais, gays, lésbicas, trans, assexuais e pansexuais ocupam 2,35% das vagas no pleito de 2026.

Dados do TSE apontam avanço histórico na autodeclaração, mas sub-representação persiste em cargos majoritários e no acesso a recursos financeiros partidários.

As candidaturas de pessoas bissexuais, gays, lésbicas, trans, assexuais e pansexuais alcançaram a marca de 2,35% do total de registros para as eleições de 2026 no Brasil. O índice, baseado em dados abertos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), reflete um cenário em que a participação política desta população ainda se mantém distante do patamar proporcional à sociedade, estimada em 9% pela Pesquisa do Orgulho, realizada pelo Datafolha em 2022.

Apesar do percentual contido, Gui Mohallem, da diretoria executiva do Instituto Plena Cidadania, aponta que o número representa um avanço histórico. O especialista recorda que, em 2014, declarar a própria identidade era visto como um risco para a carreira política. Identificar centenas de candidaturas que oficializam suas identidades perante o TSE, doze anos depois, marca uma evolução na transparência do processo democrático.

Para a população, essa sub-representação gera consequências concretas, indo além da esfera simbólica. A ausência de parlamentares que vivenciaram barreiras e exclusões específicas priva o Poder Legislativo de soluções forjadas pela experiência prática. Vale destacar que, segundo o Instituto, 99% dos projetos apresentados por parlamentares LGBT no último mandato focaram em temas transversais como meio ambiente, transporte e educação.

Atualmente, as candidaturas se concentram de forma expressiva no Legislativo. Cerca de 95% dos postulantes que se declararam LGBT disputam vagas para deputado federal, estadual ou distrital. A concentração atinge 99% entre candidaturas trans. Conforme o Instituto, a centralização ocorre porque o Executivo exige um volume de votos e uma estrutura partidária de difícil acesso para identidades historicamente excluídas.

O desafio financeiro também se impõe como uma barreira estrutural. O Instituto Plena Cidadania aponta que o subfinanciamento e o atraso no repasse de verbas partidárias comprometem campanhas e a regularidade das prestações de contas. Além do impacto financeiro, o programa Cuida+ detectou altos índices de violência política intrapartidária, afetando a saúde mental das candidaturas independentemente do espectro ideológico.

A análise da organização sugere que partidos com estruturas internas voltadas à população LGBT possuem melhores índices de sucesso eleitoral. Contudo, o país ainda carece de políticas afirmativas robustas que garantam igualdade de condições na disputa eleitoral para essa parcela da população.

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