VINGANÇA POLÍTICA

Trump pune senador republicano por deslealdade em primárias

Retrato do senador Bill Cassidy, político republicano dos EUA, derrotado nas primárias. Imagem de Gerald Herbert/ AP.
O senador republicano Bill Cassidy, derrotado nas primárias da Louisiana, em maio de 2026. Foto: Gerald Herbert/ AP

Bill Cassidy derrotado em Louisiana após voto em impeachment de 2021. Presidente busca controle total do Partido Republicano em maio de 2026.

A implacável influência do Presidente Donald Trump sobre o Partido Republicano manifestou-se de forma contundente no último fim de semana, culminando na derrota do senador Bill Cassidy, da Louisiana, nas primárias. O resultado, que o torna o primeiro senador em uma década a não conseguir a indicação para a reeleição em maio de 2026, é a cristalização da vingança política de Trump contra aqueles que considera desleais, especialmente após Cassidy votar pela sua condenação no processo de impeachment de 2021. Este evento não apenas reconfigura a paisagem política da Louisiana, mas também envia uma mensagem clara sobre o custo da dissidência dentro do partido.

Imediatamente após a divulgação dos resultados, o Presidente Trump expressou sua satisfação nas redes sociais, utilizando o momento para celebrar a revanche. "Sua deslealdade ao homem que o elegeu agora faz parte da lenda, e é bom ver que sua carreira política ACABOU!", escreveu ele sobre Cassidy, sublinhando o domínio que exerce sobre o partido e a intolerância a qualquer tipo de oposição interna.

No próximo mês, a corrida para o Senado na Louisiana prossegue para o segundo turno das primárias, onde a deputada Julia Letlow, apoiada pelo Presidente, enfrentará Jim Flemming, tesoureiro do estado. A expectativa é que este estado conservador eleja novamente um republicano para o Senado em novembro.

Para o senador derrotado, restou um recado direto ao Presidente Trump. Ao reconhecer publicamente sua derrota, Cassidy declarou: "Quando você participa da democracia, às vezes as coisas não saem como você quer. Mas você não faz birra. Você não reclama. Você não alega que a eleição foi roubada". Embora não tenha citado Trump nominalmente, suas palavras ressoaram como uma crítica clara à postura do Presidente em relação aos resultados eleitorais e à lealdade política.

"Deixe-me esclarecer uma coisa: nosso país não gira em torno de um único indivíduo. Trata-se do bem-estar de todos os americanos e da nossa Constituição. E se alguém não entende isso e tenta controlar os outros usando o poder, essa pessoa está pensando apenas em si mesma. Não está pensando em servir a todos nós. E essa pessoa não está qualificada para ser um líder", completou Cassidy, elevando a discussão para além da disputa pessoal e focando nos valores democráticos.

A "caça aos infiéis" do Presidente Trump é uma estratégia persistente e implacável, que pode demorar, mas invariavelmente chega. Ela se manifesta por meio de campanhas intensas para destituir opositores, seja por insultos nas redes sociais ou pelo apoio a candidatos leais. O padrão é claro: apenas dois dos seis senadores republicanos que votaram pela condenação do Presidente no impeachment de 2021 ainda mantêm seus cargos. Da bancada na Câmara, restaram somente dois dos dez congressistas que foram contrários a ele.

O Presidente Trump demonstrou sua capacidade de destituição política ao conseguir afastar cinco senadores estaduais em Indiana que se opuseram a ele no redesenho dos distritos eleitorais do estado, consolidando sua influência sobre as estruturas partidárias.

O próximo alvo na mira do Presidente Trump é o congressista republicano Thomas Massie, um crítico notório que disputa as primárias do Kentucky nesta terça-feira, 19 de maio de 2026, contra Ed Gallrein, um aliado do Presidente. Em seu sétimo mandato, Massie destaca-se como o principal opositor de Trump na bancada republicana da Câmara.

Massie caiu em desgraça por desafiar o Presidente em diversas ocasiões: votou contra um projeto de lei tributária apoiado por Trump, pressionou colegas pela divulgação de arquivos relacionados ao criminoso sexual Jeffrey Epstein, em direção oposta à Casa Branca, e se opôs à guerra contra o Irã.

Após a derrota de Cassidy, o Presidente Trump voltou suas baterias contra Massie, descrevendo-o como "o pior congressista republicano da história" e lançando ataques verbais descorteses. "Kentucky, vote para tirar esse vagabundo do poder nesta terça-feira. Não podemos conviver com esse encrenqueiro por mais dois anos", disparou Trump, intensificando a pressão sobre os eleitores.

Massie, por sua vez, atribui o apelo do Presidente Trump em favor de Gallrein, fazendeiro e ex-SEAL, ao desespero do Presidente e acredita que a campanha incisiva de Trump contra ele acabará por beneficiá-lo. "Sou o único que eles não conseguem intimidar. O Presidente está perdendo o sono e tuitando sobre isso", afirmou Massie em entrevista à ABC.

No entanto, as pesquisas colocam Massie cinco pontos atrás de Gallrein, o candidato do Presidente Trump. A primária republicana do Kentucky transformou-se em um teste de resistência: Massie luta para sobreviver a mais um desejo de vingança do Presidente, enquanto ele busca manter o controle absoluto sobre o seu partido.

Enquanto a influência do Presidente Trump se consolida, os republicanos enfrentam dificuldades para manter o controle das duas casas do Congresso nas eleições de outubro. Paralelamente, o Presidente lida com uma persistente queda de popularidade, atribuída à guerra no Irã e ao aumento do custo de vida. A dinâmica entre sua busca por lealdade e os desafios eleitorais gerais molda o futuro do partido e do cenário político americano.

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