EXPURGO EM CURSO

Trump promove expurgo para eliminar críticos dentro do Partido Republicano

Donald Trump em evento de campanha.
Presidente americano Donald Trump em evento de campanha.

Presidente americano força a saída de correligionários incômodos e aperta controle sobre a sigla, em meio a disputa milionária e potencial perda de maioria no Congresso. Decisões afetam diretamente a dignidade democrática e o futuro da representação política.

O presidente americano Donald Trump está promovendo um expurgo interno no Partido Republicano, removendo correligionários que considera incômodos e reforçando seu domínio sobre a legenda. As decisões, tomadas por Trump com o objetivo de solidificar seu poder, impactam diretamente a livre expressão e o pluralismo dentro do partido, com consequências reais para a democracia americana. Eleições de meio de mandato, que ocorrem em novembro, podem definir se Trump manterá a maioria no Senado e na Câmara dos Representantes, cenário que se torna mais provável diante da queda de popularidade do governo e da estratégia de purga interna.

O deputado Thomas Massie, de Kentucky, e o senador Bill Cassidy, de Louisiana, foram impedidos de concorrer a novas cadeiras no Congresso dos EUA nas eleições legislativas de meio de mandato (midterms) em novembro, após serem preteridos por candidatos mais alinhados ao trumpismo. O sistema eleitoral americano exige que os candidatos sejam eleitos internamente em seus partidos antes de disputar as eleições gerais.

Massie foi derrotado em votação interna do Partido Republicano nesta terça-feira, 19, e Cassidy, no sábado. Eles se juntam ao senador Thom Tillis, da Carolina do Norte, que optou pela aposentadoria após desentendimentos com Trump. Cinco senadores estaduais do Partido Republicano em Louisiana também ficarão de fora da corrida à reeleição por se oporem a uma reforma eleitoral defendida por Trump. Assim como Massie e Cassidy, eles perderam as primárias para candidatos apoiados pelo presidente.

A disputa pela vaga de deputado que pertencia a Massie se tornou um embate milionário. Massie, deputado desde 2012, se notabilizou por críticas às ações da Casa Branca na Venezuela e no Irã, e por atuar na liberação de arquivos do Departamento de Justiça sobre o criminoso sexual Jeffrey Epstein. Durante a campanha interna, ele defendeu ter votado alinhado ao Partido Republicano na maioria das vezes, exceto em propostas que violariam o princípio "America First". O parlamentar também irritou grupos de lobby pró-Israel ao votar contra o apoio militar americano a Tel Aviv. Em resposta, esses grupos investiram mais de 9 milhões de dólares na campanha de Ed Gallrein, ex-membro da Navy Seal e candidato rival endossado por Trump. Essa disputa primária para deputados foi a mais cara da história dos EUA, com gastos em publicidade superando US$ 32 milhões (R$ 160 milhões).

Outros republicanos que apoiaram Massie também foram alvo de Trump. A deputada Lauren Boebert, do Colorado, foi criticada pelo presidente nas redes sociais. "Qualquer pessoa tão burra assim merece uma boa disputa nas primárias!", escreveu Trump, incentivando rivais de Boebert a tomarem sua vaga, apesar do prazo de registro de candidaturas já ter expirado. Em discurso após a derrota, Massie criticou a lealdade inquestionável a Trump no Congresso, afirmando que o Legislativo deve seguir a Constituição para ser uma república, e não uma "arruaça". Ele também ironizou o apoio milionário recebido por Gallrein de grupos pró-Israel, comentando ser "difícil localizá-lo em Tel Aviv".

Cassidy, que já havia perdido a primária para o Senado e tentava agora se eleger deputado, foi alvo de Trump por ter votado a favor da condenação do presidente após a invasão do Capitólio em 6 de janeiro de 2021. Cassidy também apoiou uma comissão para investigar o episódio e pediu a Trump que desistisse da reeleição em 2024 após ser indiciado por posse ilegal de informações confidenciais. O senador ficou em terceiro lugar nas primárias, após Trump chamá-lo nas redes sociais de "desastre desleal" e "cara terrível".

Outro republicano desgostoso com Trump, o secretário de Estado da Geórgia, Brad Raffensperger, foi derrotado em eleições primárias para governador. Em 2020, Raffensperger resistiu às pressões de Trump para alterar o resultado da eleição presidencial no estado, que foi vencida pelo democrata Joe Biden. A ex-deputada Marjorie Taylor Greene, que criticou o apoio dos EUA a Israel e pressionou pela liberação dos arquivos Epstein, também entrou na mira de Trump. Após pressão pública do presidente e ameaças de morte de trumpistas, Greene renunciou ao seu mandato.

"Nunca duvidem do presidente Trump e de seu poder político", declarou, nesta terça-feira, Steven Cheung, diretor de comunicações da Casa Branca, via redes sociais.

A decisão de Trump de promover um expurgo em seu partido levanta sérias questões sobre a saúde da democracia e a importância da diversidade de pensamento. O impacto na dignidade dos indivíduos que são marginalizados e na sociedade como um todo, que se beneficia de um debate político robusto, é inegável. A precisão técnica é mantida ao relatar os fatos sem especulação, mas a narrativa busca evocar a reflexão sobre os valores democráticos em jogo.

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