PAZ EM RISCO

Trump chama proposta do Irã de lixo e vê trégua por um fio

Donald Trump discursa no Salão Oval da Casa Branca
O presidente Donald Trump discursa antes de assinar uma proclamação no Salão Oval da Casa Branca, na terça-feira, 5 de maio de 2026, em Washington — Foto: AP/Jacquelyn Martin

Presidente dos Estados Unidos rejeita termos iranianos em 11 de maio de 2026, aprofundando impasse e ameaçando acordo no Oriente Médio.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rejeitou veementemente a mais recente proposta de paz apresentada pelo Irã, chamando-a de "estúpida" e "lixo" nesta segunda-feira, 11 de maio de 2026. A decisão de Trump de desconsiderar os termos iranianos aprofunda o impasse diplomático e coloca o cessar-fogo em vigor no Oriente Médio "por um fio", ameaçando a esperança de estabilidade em uma região já marcada por conflitos prolongados.

Em uma coletiva de imprensa, o líder republicano declarou que "eles voltam querendo negociar, e nos apresentam uma proposta estúpida, que ninguém aceitaria — embora Obama teria aceitado, Biden teria aceitado". Trump fez questão de sublinhar a fragilidade da trégua, em vigor há mais de um mês. "Eu diria que [o cessar-fogo] está no momento mais fraco. Depois de ler aquele lixo que eles nos enviaram, eu nem terminei de ler", desabafou o presidente, enfatizando a precariedade da situação.

A resposta iraniana, divulgada no domingo, 10 de maio de 2026, chegou dias após Washington apresentar sua própria proposta para retomar as negociações. Teerã buscou um fim abrangente para a guerra em todas as frentes de conflito, incluindo no Líbano, onde Israel — um aliado crucial dos EUA — enfrenta militantes do Hezbollah, apoiados pelo Irã. O enriquecimento de urânio, peça central do programa nuclear iraniano e visto como vital para a produção de armas atômicas, permanece como um dos maiores obstáculos nas conversas entre Washington e Teerã.

Já no domingo, 10 de maio de 2026, Trump havia manifestado publicamente sua insatisfação com a proposta iraniana. "Acabei de ler a resposta dos chamados 'representantes' do Irã. Não gostei — TOTALMENTE INACEITÁVEL!", escreveu o presidente em suas redes sociais, sinalizando a intransigência americana. Segundo o jornal "Wall Street Journal", o Irã se recusou a desmantelar suas instalações nucleares, sugerindo o envio de parte do urânio enriquecido para um terceiro país. A proposta iraniana ainda exige garantias de que o urânio seria devolvido caso as negociações falhassem ou os EUA se retirassem de um futuro acordo. Teerã também se mostrou disposta a suspender o enriquecimento de urânio por um período, mas consideravelmente menor do que os 20 anos propostos pelos Estados Unidos.

Mesmo com a trégua em vigor, o cenário de desconfiança persiste. Os Estados Unidos mantêm o bloqueio marítimo contra embarcações iranianas no Estreito de Ormuz — uma ação que Teerã classifica como ato de guerra. Em contrapartida, o Irã continua a restringir a passagem de navios comerciais pela mesma região estratégica. Este impasse tem culminado em confrontos e acusações mútuas de violações do cessar-fogo. Em 7 de maio de 2026, o Irã denunciou os EUA por atacar dois navios no Estreito de Ormuz e atingir áreas civis, conforme comunicado do comando militar conjunto iraniano. No mesmo dia, as Forças Armadas dos EUA afirmaram ter interceptado ataques iranianos "não provocados", respondendo com "ações de autodefesa". De acordo com um comunicado americano, três navios da Marinha transitavam pelo Estreito de Ormuz em direção ao Golfo de Omã quando foram alvo de múltiplos mísseis, drones e pequenas embarcações iranianas. O Comando militar conjunto do Irã, por sua vez, reiterou em 7 de maio de 2026 que responderá com força e sem hesitação a qualquer agressão.

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