MERCADO BILIONÁRIO
Trump avalia abertura para carne brasileira
O governo do presidente Donald Trump estuda flexibilizar as importações de carne bovina nos Estados Unidos por 200 dias para conter a inflação. A medida, se aprovada, pode gerar um novo cenário para os produtores brasileiros. Veja três opções para a capa: 1. CHAPÉU: ALÍVIO NA MESA TÍTULO: Trump avalia abertura para carne brasileira Caracteres do Título: 42 SUTIÃ: Preços da carne bovina nos EUA sobem 40% em cinco anos; frigoríficos brasileiros podem lucrar com suspensão de cotas por 200 dias. 2. CHAPÉU: MERCADO BILIONÁRIO TÍTULO: Inflação move Trump a mirar carne do Brasil Caracteres do Título: 40 SUTIÃ: Decisão temporária de 200 dias pode injetar bilhões na exportação brasileira e aliviar bolso do consumidor americano. 3. CHAPÉU: OPORTUNIDADE GLOBAL TÍTULO: Governo Trump estuda liberar carne bovina do Brasil Caracteres do Título: 49 SUTIÃ: Medida visa conter alta de preços nos Estados Unidos e pode impactar frigoríficos como JBS e Minerva, rebalanceando rotas de exportação.
O governo do presidente Donald Trump considera flexibilizar, por um período de 200 dias, as restrições sobre as importações de carne bovina nos Estados Unidos. A medida, em estudo nesta terça-feira, 12 de maio de 2026, visa a frear a crescente inflação de alimentos no país, um desafio que tem impactado diretamente o bolso dos consumidores americanos e se tornou um fator político crucial antes das eleições. Essa possível abertura, revelada pelo The Wall Street Journal e confirmada pelo Politico, pode reconfigurar o mercado global de carne.
A iniciativa ocorre em um momento de forte alta nos preços da carne bovina no mercado americano. Segundo um relatório do Citibank, citado por analistas no Brasil, o custo da carne moída nos Estados Unidos acumulou um aumento de 40% nos últimos cinco anos, intensificando a pressão sobre o custo de vida e o impacto político da inflação sobre o eleitorado.
A possível suspensão das cotas de importação tende a beneficiar diretamente frigoríficos brasileiros exportadores, especialmente Minerva Foods, JBS e Marfrig — esta última atualmente integrada à operação da BRF na MBRF. O mercado reagiu rapidamente à notícia, com as ações da Minerva subindo 4,63% na B3, encerrando o pregão a R$ 4,29.
Analistas do Citi avaliam que a Minerva deve ser a empresa mais favorecida pelo eventual afrouxamento das cotas devido ao seu perfil altamente exportador. JBS e Marfrig, embora possuam operações industriais nos Estados Unidos e utilizem importações como parte de sua estratégia local, também podem se beneficiar de uma maior flexibilidade comercial.
Para José Carlos Hausknecht, sócio da consultoria MB Agro, a medida representa uma oportunidade relevante para o setor pecuário brasileiro. “Essa abertura, para o Brasil, é muito importante”, afirmou. Ele ressalta, contudo, que a flexibilização tende a enfrentar resistência dos produtores americanos, especialmente em um momento de queda histórica do rebanho bovino nos Estados Unidos, que afeta a dignidade e o sustento de muitas famílias rurais.
Dados do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) mostram que o rebanho americano atingiu o menor nível em 75 anos, reflexo de secas prolongadas em regiões produtoras e dificuldades na recomposição do plantel. Historicamente maiores produtores mundiais de carne bovina desde a década de 1960, os Estados Unidos perderam espaço para o Brasil, que assumiu em 2025 a liderança global na produção do produto, segundo estimativas do USDA.
O desequilíbrio entre oferta e demanda ampliou a dependência americana das importações. Em 2021, cerca de 10% da carne consumida nos EUA era importada. No ano passado, essa participação chegou a 20%, de acordo com reportagem publicada pelo The Wall Street Journal.
Atualmente, os Estados Unidos utilizam um sistema de cotas para controlar as importações. Países fornecedores tradicionais, como Austrália, Nova Zelândia, Argentina e Uruguai, possuem limites próprios de exportação com tarifas reduzidas. O Brasil participa da categoria destinada a “outros países”, limitada a 65 mil toneladas anuais com tarifa reduzida. Acima desse volume, incide uma tarifa superior a 26%.
Mesmo com a cobrança adicional, o Brasil já vinha ampliando as vendas ao mercado americano diante da forte demanda local. Em 2025, as exportações brasileiras de carnes bovinas frescas, congeladas e resfriadas para os EUA somaram 126 mil toneladas, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. Apenas nos quatro primeiros meses deste ano (2026), o mesmo volume já foi alcançado.
“Se zerar mesmo todo mundo, o Brasil vai nadar de braçada”, afirmou Hausknecht, ao comentar a possibilidade de suspensão temporária das cotas, destacando o enorme potencial para a economia brasileira e a capacidade de suprir uma demanda crítica.
O movimento americano ocorre em paralelo ao endurecimento das regras de importação na China, principal destino da carne bovina brasileira. Pequim anunciou no fim do ano passado (2025) um sistema de controle de cotas para tentar sustentar os preços pagos aos produtores locais. Nesse cenário, parte da carne que teria como destino o mercado chinês pode ser redirecionada aos Estados Unidos, reconfigurando as rotas comerciais e o equilíbrio de preços.
Para o Citi, essa dinâmica tende a reduzir a possibilidade de queda dos preços no mercado doméstico brasileiro, uma vez que o aumento da demanda externa absorveria parte do excedente exportável. “A demanda mais forte dos EUA ajuda a absorver parte do excedente potencial brasileiro, reduzindo o risco de que as carnes redirecionadas da China inundassem o mercado doméstico”, afirmaram os analistas do banco em relatório, aliviando potenciais impactos negativos nos produtores brasileiros.
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