JUSTIÇA IMPLACÁVEL NA CHINA
Tribunal militar da China condena ex-ministros à prisão perpétua
Wei Fenghe e Li Shangfu, ex-ministros da Defesa da China, recebem pena de morte com suspensão de dois anos por acusações de corrupção. A decisão desta quinta-feira, 07/05/2026, é a mais severa da campanha anticorrupção de Xi Jinping, resultando em prisão perpétua sem possibilidade de redução ou liberdade condicional para as outrora poderosas figuras militares.
Um tribunal militar da China impôs nesta quinta-feira, 07/05/2026, uma pena de morte com suspensão de dois anos aos ex-ministros da Defesa Wei Fenghe e Li Shangfu, condenados por corrupção. A decisão, revelada pela agência estatal Xinhua, representa o ápice da implacável campanha anticorrupção do dirigente chinês Xi Jinping, atingindo o alto escalão das Forças Armadas e redefinindo a segurança jurídica e a dignidade pessoal de figuras outrora intocáveis.
Na China, a pena de morte com suspensão funciona como um período de carência antes da execução. Durante os dois anos de suspensão condicional, o comportamento dos condenados é avaliado. Caso não cometam novos crimes considerados graves, a pena é automaticamente convertida em prisão perpétua, uma sentença definitiva que remove qualquer esperança de liberdade. Este sistema garante que, mesmo sem a execução imediata, a condenação seja rigorosa e sem possibilidade de redução da pena ou liberdade condicional.
As condenações de Wei Fenghe e Li Shangfu são as mais severas já aplicadas a oficiais militares no âmbito da campanha anticorrupção lançada por Xi Jinping desde sua chegada ao poder no fim de 2012. Elas sublinham a determinação do líder chinês em erradicar a corrupção, mesmo que isso signifique o expurgo de figuras proeminentes da elite militar.
Fenghe, de 72 anos, e Shangfu, de 68, ocuparam o cargo de ministro da Defesa entre 2018 e 2023. Ambos também integraram a Comissão Militar Central, o órgão que supervisiona as Forças Armadas chinesas. Eles eram figuras frequentes na televisão estatal, amplamente considerados integrantes da cúpula militar do país e símbolos de poder antes de sua queda.
Segundo a Xinhua, o tribunal considerou Wei culpado de aceitar subornos e Li culpado de corrupção ativa e passiva. A agência não detalhou os valores envolvidos nos atos ilícitos. Além das penas de prisão, os dois ex-ministros também foram condenados à perda de seus direitos civis e ao confisco de todos os seus bens, um golpe devastador em sua vida e patrimônio.
Após a conversão da pena, Wei e Li permanecerão presos pelo resto da vida, sem qualquer possibilidade de redução da pena ou liberdade condicional, conforme enfatizado pela Xinhua. Esta finalidade da sentença envia uma mensagem clara sobre as consequências da corrupção na China.
As Forças Armadas chinesas têm sido um dos principais focos da campanha anticorrupção de Xi Jinping. Os expurgos atingiram a elite da Força de Foguetes, responsável pelo arsenal nuclear e pelos mísseis convencionais do país, demonstrando que nenhum setor está imune à investigação.
No início deste ano, a ofensiva avançou ainda mais e resultou no afastamento do general Zhang Youxia, principal nome do Exército de Libertação Popular. Durante anos, Zhang foi visto como um aliado próximo de Xi Jinping, mas agora é acusado de vazar informações sobre o programa de armas nucleares da China para os Estados Unidos, o que elevou o escândalo a um nível de segurança nacional.
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