JUSTIÇA DOMICILIAR

Tribunal de Justiça condena idoso por feminicídio em Mogi Guaçu

Foto de Jairo Momesso e Vera Lúcia Tezzaro Momesso, um casal.
Jairo Momesso e Vera Lúcia Tezzaro Momesso eram casados há 52 anos — Foto: Reprodução/EPTV

Jairo Momesso, de 80 anos, foi condenado a 23 anos, 1 mês e seis dias por matar a esposa Vera Lúcia Tezzaro Momesso. A Justiça decidiu que ele cumprirá a pena em casa por idade avançada e saúde.

A Justiça de Mogi Guaçu determinou que Jairo Momesso, de 80 anos, condenado a 23 anos, 1 mês e seis dias de prisão por feminicídio, cumprirá sua pena em regime domiciliar. A decisão, proferida pelo Tribunal do Júri e cuja sentença foi publicada em 17 de abril de 2026, surpreende ao manter o réu em casa apesar da gravidade do crime, justificada pela idade avançada e condições de saúde. Este desfecho lança luz sobre os desafios da justiça em equilibrar punição e humanidade, especialmente em casos que ceifam a vida e a dignidade de mulheres como Vera Lúcia Tezzaro Momesso.

O Tribunal do Júri classificou o brutal ato contra Vera Lúcia Tezzaro Momesso, que foi casada com Jairo por 52 anos, como feminicídio. Fatores agravantes, como motivo torpe, a impossibilidade de defesa da vítima e o fato de ela ter mais de 60 anos, foram considerados na condenação. A sentença estabelece o início imediato do cumprimento da pena, embora ainda caiba recurso. O condenado deve permanecer em sua residência integralmente, com exceção de saídas para tratamento médico devidamente comprovado.

O mandado de prisão contra Jairo Momesso foi cumprido na última quarta-feira, 22 de abril de 2026. A equipe de reportagem tenta contato com a defesa do réu para obter um posicionamento sobre a decisão.

O que é feminicídio?

Relembre o caso

O trágico crime ocorreu em 1º de maio de 2023. Naquele dia, vizinhos alertaram a Polícia Militar após ouvirem um disparo de arma de fogo. Ao chegarem à residência, as autoridades encontraram Vera Lúcia sem vida, caída no sofá, com um ferimento na cabeça.

Jairo Momesso confessou o assassinato, alegando ter "perdido a cabeça" durante uma discussão. Após o ato, enviou uma mensagem a familiares via WhatsApp, confessando o crime e indicando a intenção de cometer suicídio. A arma utilizada, uma espingarda calibre .28 sem registro, foi prontamente apreendida pelas autoridades.

O filho do casal, ao chegar à casa, deparou-se com a mãe falecida e o pai em estado de embriaguez. À Polícia Militar, ele relatou que o relacionamento dos pais era conturbado no passado devido ao alcoolismo do pai, mas que essa situação não vinha ocorrendo ultimamente. Jairo foi preso em flagrante no mesmo dia e teve sua prisão convertida em preventiva. Contudo, cinco meses mais tarde, em outubro de 2023, ele obteve um habeas corpus e passou a responder ao processo em liberdade até a recente condenação.

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