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Trabalhadores do RN pressionam por jornada mais humana na ALRN

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Audiência na ALRN debate fim da escala 6x1 e mobiliza trabalhadores no RN

Audiência pública na segunda-feira, 27 de abril de 2026, expôs dados do Dieese e relatos de 'escravidão' em meio à luta por redução salarial zero.

A Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte (ALRN) intensificou o debate sobre a abolição da escala de trabalho 6x1 e a redução da jornada semanal sem corte de salários, durante uma audiência pública na última segunda-feira, 27 de abril de 2026. O encontro, proposto pela deputada estadual Divaneide Basílio (PT) e o deputado federal Fernando Mineiro (PT) em conjunto com centrais sindicais, mobilizou trabalhadores e expôs as severas consequências da atual carga horária na vida de milhões de brasileiros. A discussão é crucial, pois aborda a dignidade, a saúde e o bem-estar social, além de buscar a modernização das relações de trabalho.

Proponente da audiência, a deputada Divaneide Basílio (PT) logo na abertura da sessão destacou o impacto direto da jornada, afirmando que “A vida não cabe em um só dia”. A iniciativa contou com o apoio essencial do deputado federal Fernando Mineiro (PT) e de entidades influentes como a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e o Sindicato dos Trabalhadores em Educação, evidenciando a amplitude da mobilização.

Dados alarmantes apresentados pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) revelam a dimensão do problema no Estado. Dos 513.908 trabalhadores formais no Rio Grande do Norte, impressionantes 83,2% cumprem jornadas acima de 40 horas semanais. Entre os homens, o percentual atinge 87%, enquanto entre as mulheres é de 77%. O salário médio desse grupo, que enfrenta uma rotina exaustiva, gira em torno de R$ 1.580. O levantamento é categórico ao indicar que 40% dos trabalhadores pedem demissão por não suportarem a carga de trabalho, um sinal claro da insustentabilidade do modelo atual.

O técnico do Dieese, Ediran Teixeira, enfatizou que a reivindicação por jornadas mais justas não é recente. “Essa demanda já vem de séculos”, recordou ele, ao lembrar que a jornada de 44 horas foi estabelecida na Constituição de 1988 após décadas de intensa mobilização popular. Teixeira também trouxe à luz dados sobre a profunda desigualdade no país, onde 10% dos mais ricos concentram 56,8% da renda nacional.

Fernando Mineiro contextualizou o debate no cenário nacional, informando que cerca de 14 milhões de trabalhadores, o equivalente a 33% da força de trabalho formal brasileira, ainda estão submetidos ao regime 6x1. Ele destacou que a discussão não é precipitada, pois o presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) sobre o tema em regime de urgência já em 2019, demonstrando a longa data da pauta.

A audiência revelou divergências marcantes. Representantes do setor empresarial expressaram preocupação com os potenciais impactos econômicos da mudança. Contudo, o presidente estadual da CUT, Irailson Nunes, rechaçou veementemente a crítica de que a pauta seria eleitoreira. “Não é pauta eleitoreira. Vá no supermercado e pergunte ao trabalhador”, desafiou Nunes, sublinhando a urgência e a realidade diária dos que enfrentam a jornada 6x1.

O procurador do Ministério Público do Trabalho, Gleitson Gadelha, reforçou que a jornada exaustiva afeta desproporcionalmente os segmentos mais vulneráveis da sociedade. “São pessoas mais desprotegidas, com menor renda e escolaridade”, afirmou, alertando que o modelo atual é insustentável diante das transformações no mundo do trabalho e da necessidade de um ambiente mais equitativo.

O superintendente regional do Trabalho, Cláudio Gabriel, defendeu a proposta de redução da jornada como uma forma eficaz de redistribuição de renda e melhoria das condições de vida. “Reduz a jornada de 44 para 40 horas e amplia o descanso sem redução salarial”, explicou, citando exemplos de sucesso em outros países, como a França, que adota 35 horas, e o Chile, com 40 horas semanais.

Relatos emocionantes de trabalhadores foram um dos pontos altos da audiência, humanizando os dados. Alessandra, representante do Sindisuper, revelou que o sindicato recebe pedidos de demissão semanalmente devido ao esgotamento. “As pessoas não aguentam mais. Estão doentes”, desabafou. Josivan, trabalhador do setor de serviços, descreveu as condições no ambiente de trabalho como uma “escravidão para não sair do caixa”, ilustrando a pressão constante.

A juventude também sentiu os efeitos da jornada extenuante. Luana Bezerra, da União Estadual dos Estudantes, destacou o dilema de muitos jovens que precisam escolher entre estudar e trabalhar, pois “Eles não conseguem fazer os dois”. Segundo ela, mais de 60% dos universitários precisam trabalhar, sacrificando sua formação ou seu bem-estar.

Representantes do movimento Vida Além do Trabalho foram além, defendendo uma redução ainda mais ambiciosa da jornada, para 36 horas semanais no modelo 4x3, e afirmaram ter reunido quase 3 milhões de assinaturas em uma petição nacional.

A advogada Elisa Maria abordou os impactos de gênero, enfatizando que a jornada prolongada afeta especialmente as mulheres, que frequentemente acumulam a carga do trabalho doméstico e de cuidado. “Esse modelo rouba tempo, adoece corpos e aprofunda desigualdades”, denunciou, mostrando como a questão é também um pilar da justiça social.

Ao final do encontro, foram aprovados importantes encaminhamentos. Entre eles, a produção de conteúdo informativo pela ALRN para conscientizar a população sobre a escala 6x1 e o envio de uma carta pública aos deputados estaduais, solicitando que declarem sua posição sobre o tema, um passo crucial para a tramitação legislativa.

A mobilização por um regime de trabalho mais justo continua ativa e deve ganhar ainda mais força no Dia do Trabalhador, 1º de Maio. “Nada foi dado. Tudo foi conquistado com luta”, resumiu o dirigente sindical Irailson Nunes, ecoando o sentimento de milhares de trabalhadores que clamam por uma vida além da exaustão.

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