VALORES TRABALHISTAS
Trabalhador brasileiro prioriza salário e estabilidade sobre home office, aponta pesquisa CNI/Nexus
Levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e Nexus indica que remuneração, segurança no emprego e crescimento na carreira superam flexibilidade e trabalho remoto. Pesquisa ouviu mais de 2 mil pessoas em todo o país.
Uma pesquisa realizada pela Nexus e divulgada nesta sexta-feira, 05/06/2026, pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) revela que o trabalhador brasileiro prioriza, em sua maioria, salário, estabilidade e perspectiva de crescimento profissional ao definir suas aspirações para os próximos cinco anos. O estudo, que ouviu 2.008 pessoas com 16 anos ou mais nos 26 Estados e no Distrito Federal entre 10 e 15 de outubro de 2025, demonstra que esses fatores superam a flexibilidade de horário e a possibilidade de trabalhar de casa (home office).
De acordo com o levantamento, 28,7% dos entrevistados apontaram o salário como o principal diferencial da ocupação desejada. A estabilidade no emprego foi citada por 22,4%, e a perspectiva de crescimento na carreira por 20,1%. Em comparação, a flexibilidade de horário foi mencionada por 19,3%, o home office por 15,9%, e a jornada de trabalho reduzida por 9,8%.
"Mesmo nesse cenário de novas modalidades de trabalho, em que a flexibilidade acaba sendo também uma moeda de troca, esses fatores tradicionais são valorizados e acabam sendo muito associados ao emprego com carteira assinada", avaliou Claudia Perdigão, especialista em Políticas e Indústria da CNI. Ela acrescenta que essa estrutura de trabalho formal continua sendo a primeira opção do trabalhador, impulsionando a busca por essa relação de trabalho no médio e longo prazo.
Ao serem questionados sobre os obstáculos para alcançar suas aspirações profissionais, os trabalhadores apontaram a falta de oferta de vagas com boas condições (22%) como o principal entrave. Seguem a falta de experiência prática (17,6%), a escassez de cursos de formação na região de residência (16,9%), a necessidade de cuidar de parentes (16,1%), a falta de qualificação exigida pelo mercado (12,7%), a dificuldade em encontrar informações sobre vagas (11,9%) e a discriminação por parte de empregadores (8,3%).
A 69ª edição da pesquisa Retratos da Sociedade Brasileira, também da CNI, reforça essa preferência pelo emprego formal. Mais de um terço (36,3%) dos ocupados que buscaram trabalho no mês anterior à pesquisa indicaram o emprego regido pela CLT como o mais atrativo, índice que sobe para 41,4% entre os jovens de 25 a 34 anos. Embora um em cada dez brasileiros ocupados e em busca de novo emprego tenha classificado como atrativas as oportunidades de trabalho autônomo em plataformas digitais, apenas 30% dos interessados veem essa modalidade como principal fonte de sustento.
Em um indicativo de satisfação com as condições atuais, 95% dos entrevistados se declararam satisfeitos com o emprego que possuem, sendo que 70% deles manifestaram estar muito satisfeitos.
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