MIGRAÇÃO E INVESTIMENTOS

Número de autorizações de trabalho para chineses triplica no Brasil

Trabalhadores em linha de montagem exemplificando a colaboração entre equipes brasileiras e chinesas.
Número de autorizações de trabalho para chineses aumenta no Brasil. Foto: Reprodução/Jornal Nacional

Dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública mostram salto de 3 mil para 10 mil autorizações em dois anos, impulsionado por investimentos na China.

O volume de profissionais chineses autorizados a atuar no Brasil triplicou nos últimos dois anos, refletindo uma mudança estratégica na composição da mão de obra qualificada em setores vitais da economia. O Ministério da Justiça e Segurança Pública registrou que o total de permissões de residência para trabalho saltou de pouco mais de 3 mil, em 2023, para mais de 10 mil em 2025.

Essa nova dinâmica migratória é acompanhada por desafios cotidianos, como a barreira idiomática. No chão de fábrica, brasileiros e chineses superam as diferenças culturais por meio de gestos e aplicativos de tradução. Vinícius Alves Silva, montador de eixos que trabalha diretamente com profissionais estrangeiros, relata que a rotina exige adaptações, enquanto Roy, que atua como ponte entre as equipes, destaca o desafio logístico imposto pelo fuso horário de 11 horas entre os países.

A presença desses profissionais é estratégica, especialmente na transferência de tecnologia. Segundo Alexandre Baldy, vice-presidente sênior da BYD Brasil, o intercâmbio de conhecimento é fundamental para elevar a performance industrial. Em unidades como a fábrica onde atuam, a colaboração já resulta em marcos expressivos, como a produção de 40% dos ônibus elétricos que circulam em São Paulo.

O aquecimento do mercado de trabalho para chineses ocorre em paralelo a um volume recorde de investimentos. Em 2025, a China destinou mais de US$ 6 bilhões ao Brasil. Para Livio Ribeiro, pesquisador da FGV Ibre, o movimento preenche lacunas econômicas e consolida a China como peça central na balança comercial brasileira, superando a influência tradicional dos Estados Unidos.

Além da indústria automobilística, essa onda migratória alcança setores de energia e tecnologia. Engenheiros como Xiangshuang Wu, que opera em projetos de hidrelétricas e reside em São Paulo, observam o crescimento contínuo da comunidade chinesa na capital paulista, reforçando a integração econômica e cultural entre as nações.

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