JUSTIÇA E INFLUÊNCIA
Toffoli suspende investigação contra advogado ligado ao Banco Master
Decisão do STF tranca investigação sobre contrato de R$ 180 mil/ano na Câmara de Imperatriz. Suspeitas de improbidade administrativa são paralisadas.
Uma decisão monocrática do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu em 30 de setembro de 2025 a investigação contra o advogado Daniel de Faria Jerônimo Leite, apontado como “figura instrumental” do empresário Daniel Vorcaro. O veredito do ministro resultou no trancamento do procedimento conduzido pelo Ministério Público do Maranhão (MPMA), após Toffoli concluir que não havia “lastro mínimo” para sustentar a acusação de improbidade, enfatizando a necessidade de dolo para configurar a irregularidade. Esta resolução tem um impacto significativo, não apenas para as partes envolvidas, mas para a percepção pública da justiça e da rigorosidade das apurações contra figuras influentes.
O inquérito em questão examinava a contratação do escritório do advogado Daniel de Faria Jerônimo Leite pela Câmara Municipal de Imperatriz, no Maranhão. O contrato, avaliado em aproximadamente R$ 180 mil anuais, foi firmado em abril de 2023 e renovado em abril de 2025 sem a realização de uma nova licitação. Tal prática gerou suspeitas de possível improbidade administrativa, levando o MPMA a iniciar a investigação que agora se encontra paralisada.
Conexões e questionamentos
A ligação de Daniel de Faria Jerônimo Leite com Daniel Vorcaro e suas empresas tem sido objeto de análise. De acordo com um levantamento da Kroll, empresa especializada em investigações, anexado a um processo movido pelo Banco de Brasília (BRB) contra Vorcaro, o advogado teria atuado como peça-chave, ou “figura instrumental”, para o empresário e seus associados, incluindo Maurício Quadrado e João Carlos Mansur.
O ministro Toffoli, embora tenha suspendido este procedimento específico, já esteve no centro de outra controvérsia envolvendo Daniel Vorcaro. Ele foi o relator inicial das investigações relacionadas ao Banco Master no STF, mas deixou a condução do caso em fevereiro de 2025. A mudança na relatoria ocorreu após a revelação de uma relação comercial com Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, ligada ao Resort Tayayá, em Ribeirão Claro. O resort, segundo o Metrópoles, operava um cassino clandestino com máquinas caça-níquel e mesas de carteado, fatos que adicionam complexidade à trama de relações e interesses.
Empréstimos milionários e patrimônio
A investigação da Kroll ainda aponta que, em abril de 2025, o advogado Daniel de Faria Jerônimo Leite obteve um empréstimo vultoso de R$ 93,7 milhões. A maior parte desses recursos foi supostamente utilizada para adquirir ações do BRB por meio de fundos de investimento, uma operação que levantou alarmes devido ao seu volume.
O Banco de Brasília questionou a capacidade patrimonial de Leite para tal transação, estimando seus bens em cerca de R$ 6 milhões. Em resposta, o advogado afirmou possuir patrimônio avaliado em aproximadamente R$ 75 milhões, uma discrepância significativa que demanda esclarecimentos. Além de seu escritório de advocacia, Daniel de Faria Jerônimo Leite declarou-se proprietário rural, com uma empresa agropecuária registrada em seu nome no Maranhão, o que adiciona camadas à sua defesa patrimonial.
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