INVESTIGAÇÃO SOBRE INFLUÊNCIA
Relatório da Polícia Federal aponta pagamentos em dinheiro vivo de Roberta Luchsinger para Lulinha
Documentos obtidos pela PF indicam que a lobista teria utilizado R$ 50 mil em espécie para custear passagens aéreas do filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A Polícia Federal (PF) revelou, por meio de um relatório detalhado, a movimentação de vultosas quantias em dinheiro vivo por parte da lobista Roberta Luchsinger durante o ano de 2025. A apuração investiga a relação da empresária com Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho primogênito do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no contexto de inquéritos que miram possíveis crimes de tráfico de influência.
Conforme dados extraídos de um aparelho celular apreendido em dezembro de 2024, mensagens trocadas pela investigada detalham a logística de entrega de R$ 300 mil em espécie. Em diálogos registrados, um operador financeiro que prestava serviços como motorista à empresária confirma a coleta do montante, entregue em pacotes lacrados, diretamente na residência de Roberta Luchsinger.
A investigação aponta que, do valor total movimentado, ao menos R$ 50 mil teriam sido destinados a uma agência de turismo para o pagamento de bilhetes aéreos em nome de Roberta e de Lulinha. Em uma das comunicações interceptadas, datada de agosto de 2025, a lobista menciona a urgência em quitar despesas de viagens vinculadas ao filho do presidente.
Investigações em curso
Lulinha passou a ser alvo de investigações autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal no final de julho de 2025. O interesse dos investigadores cresceu após a identificação de sua proximidade com Roberta Luchsinger, figura que já era monitorada no âmbito da Operação Sem Desconto, que apura fraudes em benefícios do INSS e conexões com o chamado "Careca do INSS".
Os documentos da PF sugerem ainda uma possível atuação conjunta entre Lulinha, a lobista e Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete de Luiz Inácio Lula da Silva. O objetivo da apuração é determinar se o grupo utilizava a proximidade com o poder para influenciar decisões na esfera federal.
Posicionamento das defesas
O advogado Marco Aurélio de Carvalho, que representa Lulinha, refutou veementemente qualquer irregularidade. Segundo o defensor, não houve pagamento de passagens aéreas para o filho do presidente, que reside em Madri, na Espanha, por parte da lobista. Carvalho classificou as divulgações como "vazamentos criminosos" com intuito de interferir no processo eleitoral de 2026 e comparou a estratégia aos métodos da Operação Lava Jato, projetando a anulação do processo.
Roberta Luchsinger, por meio de sua defesa, não se manifestou sobre o conteúdo das mensagens divulgadas pela autoridade policial.
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