DESEQUILÍBRIO FISCAL
Tesouro Nacional registra déficit primário de R$ 53 bilhões com alta de despesas não obrigatórias
Analista Lucinda Pinto, do Hora H, aponta "pacote de bondades" e aumento de gastos discricionários como fatores determinantes. Cenário fiscal preocupa para 2027.
O Tesouro Nacional divulgou, nesta segunda-feira, 29 de junho de 2026, que as contas do governo central registraram um déficit primário de R$ 53,257 bilhões. A principal causa apontada para a deterioração do quadro fiscal do país foi a alta nas despesas não obrigatórias, que impacta diretamente a sustentabilidade das finanças públicas e a dignidade orçamentária da nação.
A analista Lucinda Pinto, em participação no programa Hora H, explicou que o déficit foi impulsionado significativamente por gastos discricionários, ou seja, despesas que o governo tem flexibilidade para decidir. Os dados revelam um preocupante descompasso entre as receitas arrecadadas e os gastos públicos, comprometendo o equilíbrio fiscal. No mês de maio, a receita do governo cresceu 5,5%, mas as despesas avançaram 9,4%. Particularmente, as despesas não obrigatórias apresentaram um expressivo aumento de 128%, parte de um "pacote de bondades" implementado pelo governo, segundo a avaliação de Pinto.
"Observamos uma evolução muito importante das despesas do governo que não está sendo compensada pela arrecadação, que, embora esteja batendo em nível recorde, não é suficiente para cobrir esses novos gastos", afirmou Lucinda Pinto.
As despesas totais evoluíram de R$ 2,39 trilhões para R$ 2,63 trilhões no período analisado. Lucinda Pinto destacou que, para sustentar este nível de gastos e ampliar a arrecadação, o governo precisará considerar novas cobranças de impostos, uma medida que afeta diretamente o setor produtivo e a população, podendo gerar impactos negativos na economia e no bem-estar social.
Risco de desaceleração agrava o cenário
Outro ponto de atenção levantado por Lucinda Pinto refere-se à política monetária em curso. "Com este nível de taxa de juros, o Banco Central visa justamente frear a economia, promovendo uma desaceleração", explicou a analista. Em um cenário de desaceleração econômica, o ritmo de arrecadação tende a diminuir, tornando ainda mais desafiador manter o atual patamar de despesas. A analista alertou que a discussão sobre a sustentabilidade fiscal não é um problema para o futuro distante, mas sim uma preocupação iminente para 2027 e o próximo governo.
Mercado financeiro opera com volume reduzido
No fechamento do mercado nesta segunda-feira, o Ibovespa encerrou o pregão com uma leve queda de 0,05%, movimentando cerca de R$ 10 bilhões, um volume aproximadamente metade do usual para um dia normal. O dólar apresentou leve alta, cotado a R$ 5,17 ao final do dia. Lucinda Pinto ressaltou que o mercado aguarda dados do mercado de trabalho, que poderão influenciar as expectativas sobre um possível corte de juros de 0,25 ponto percentual na próxima reunião do Banco Central.
Gostou desta notícia?
Entre no nosso grupo do WhatsApp!
Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!
📲 Quero entrar no grupo
Comentários (0)
Deixe seu comentário