SEGURANÇA ALIMENTAR GLOBAL

União Russa de Exportadores e Produtores de Grãos alerta para risco de crise alimentar

Navio de carga em operação em terminal portuário no Mar Negro.
Infraestrutura portuária na região do Mar Negro enfrenta riscos crescentes devido ao conflito prolongado entre Rússia e Ucrânia.

A escalada de ataques entre Rússia e Ucrânia no Mar Negro ameaça interromper o fornecimento mundial de trigo, podendo elevar preços e gerar fome em países vulneráveis.

A União Russa de Exportadores e Produtores de Grãos emitiu um alerta severo sobre o impacto dos conflitos armados na estabilidade do abastecimento mundial de alimentos. O comunicado foi divulgado nesta sexta-feira (31), destacando que as investidas com drones ucranianos contra navios e portos russos colocam em risco direto o escoamento de safras essenciais pelo Mar Negro.

A decisão da associação baseia-se na percepção de que a infraestrutura logística está sendo alvo de uma estratégia que, se mantida, levará ao bloqueio total dos corredores de exportação na região. A preocupação central reside no bem-estar das populações na África e no Oriente Médio, regiões que dependem criticamente dessas rotas para garantir o acesso a insumos básicos.

O impacto prático dessa instabilidade já é sentido nos mercados internacionais, com a escalada nos preços do trigo. A União Russa de Exportadores e Produtores de Grãos estima que, caso os fatores negativos persistam, o valor da tonelada FOB possa ultrapassar a marca de US$ 400. Tal cenário projeta uma onda de inflação de alimentos capaz de superar as crises logísticas observadas durante a pandemia.

Enquanto a Rússia relata ataques a terminais como o de Taman, o UAC, maior sindicato agrícola da Ucrânia, aponta que as ações russas próximas ao porto de Odessa também restringem severamente o fluxo ucraniano. Em paralelo, o presidente Volodymyr Zelenskiy reiterou a gravidade da situação em conversas com parceiros europeus, buscando estratégias para mitigar o cerco à segurança alimentar global.

A incerteza sobre o futuro do corredor de grãos, que anteriormente funcionava sob negociação das Nações Unidas, mantém os importadores em estado de alerta. Especialistas advertem que a incapacidade econômica de nações mais pobres em arcar com custos elevados de importação resultará, inevitavelmente, em escassez interna e possíveis episódios de fome em larga escala.

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