RENOCIAÇÃO DE DÍVIDA ESTADUAL
Tesouro Nacional prevê perda de R$ 347 bilhões com renegociação da dívida dos estados
Impacto de R$ 347 bilhões em 30 anos será concentrado em SP, RJ, MG e RS. Medida, idealizada por Fernando Haddad, visa redução de juros para estados.
O Tesouro Nacional estima uma perda de R$ 347 bilhões, em valores presentes, para os cofres federais ao longo dos próximos 30 anos devido a uma nova rodada de renegociação das dívidas dos estados. A União, por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI), divulgou a estimativa considerando as condições do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), aderido por 22 estados. Em valores nominais, o impacto financeiro para o governo federal atinge R$ 747,4 bilhões.
Mais de 92% do benefício financeiro dessa renegociação se concentrará em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Estes estados possuem as maiores dívidas com a União e, atualmente, são administrados por governadores aliados à oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O Propag reduz os encargos das dívidas estaduais ao substituir a fórmula de atualização monetária pelo IPCA e ao permitir a redução dos juros reais de 4% anuais para até 0%. Essa redução de juros está condicionada à entrega de ativos pelos estados ou à assunção de compromissos de investimento em áreas essenciais como educação, segurança, saneamento, habitação e transporte. Dentre os 22 estados participantes, 18 optaram pela modalidade com juros zerados.
São Paulo figura como o principal beneficiado, com uma redução estimada de R$ 109,3 bilhões em valores presentes (R$ 186 bilhões em valores nominais), sob o governo do governador Tarcísio de Freitas. O Rio de Janeiro aparece em seguida, com R$ 88,3 bilhões em alívio, seguido por Minas Gerais, com R$ 82,9 bilhões, e o Rio Grande do Sul, com R$ 39,9 bilhões.
A proposta que originou o Propag foi elaborada pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad. A equipe econômica justificou a extensão das condições a todos os estados elegíveis com base em um princípio de igualdade, similar a renegociações anteriores em 1997, 2014 e 2016.
Para a União, a diminuição da arrecadação financeira impacta a necessidade de financiamento no mercado e a gestão da dívida pública. Contudo, o Tesouro Nacional avalia que os efeitos não devem comprometer as metas fiscais nem o limite de despesas estabelecido pelo arcabouço fiscal, embora o estoque da dívida pública possa aumentar. Para os estados, o alívio na dívida pode viabilizar maiores investimentos e despesas em áreas prioritárias. Especialistas, porém, alertam para o risco de incentivo ao aumento de gastos sem reformas estruturais nas finanças estaduais.
Gostou desta notícia?
Entre no nosso grupo do WhatsApp!
Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!
📲 Quero entrar no grupo
Comentários (0)
Deixe seu comentário