PROTESTO DIPLOMÁTICO NO FUTEBOL
Tensão se eleva na Fifa: dirigente palestino recusa aperto de mão a israelense
No congresso da Fifa, gesto de Jibril Rajoub reitera a profunda ferida do conflito, frustrando tentativa de Gianni Infantino de promover cooperação. Entenda a repercussão do ato.
A tensão entre Palestina e Israel ganhou um novo e simbólico capítulo no palco mundial do futebol. Jibril Rajoub, presidente da Federação Palestina de Futebol, recusou-se a apertar a mão de Basim Sheikh Suliman, vice-presidente da Federação de Israel, na quinta-feira, 30 de abril de 2026, durante o congresso da Fifa. O gesto, presenciado por Gianni Infantino, presidente da entidade máxima do futebol, frustrou uma tentativa de promover a cooperação e sublinhou a profundidade de um conflito que, para muitos, transcende o esporte e afeta diretamente a dignidade e a vida da população palestina, especialmente diante da continuidade das hostilidades e de disputas territoriais.
Infantino chamou os dois dirigentes ao palco, incentivando um cumprimento. Mesmo com o convite direto e um gesto para que se aproximasse, Rajoub manteve sua posição, evitando o contato. O presidente da Fifa defendeu a união: “Vamos trabalhar juntos para dar esperança às crianças. São questões complexas”, afirmou.
A recusa reverberou a indignação palestina. Susan Shalabi, vice-presidente da federação, confirmou à Reuters que o ato foi deliberado, um posicionamento político claro. “Não podemos apertar a mão de alguém que os israelenses trouxeram para encobrir seu fascismo e genocídio. Estamos sofrendo”, declarou Shalabi, enfatizando a dor e o sofrimento do povo palestino. Ela ainda destacou que a tentativa de promover o cumprimento esvaziou o discurso anterior de Rajoub, que havia defendido por cerca de 15 minutos o respeito às regras internacionais e alertado para possíveis violações.
Disputa em torno da Cisjordânia intensifica tensão
O episódio se insere em uma longa disputa entre as federações sobre a atuação de clubes israelenses em assentamentos na Cisjordânia, território que a Palestina reivindica para um futuro Estado. A federação palestina defende que equipes estabelecidas nessas áreas não disputem competições organizadas por Israel. A entidade palestina, em busca de justiça e conformidade com o direito internacional, recorreu à Corte Arbitral do Esporte na semana passada, contestando a decisão da Fifa de não aplicar sanções. A Fifa, por sua vez, havia declarado anteriormente que não tomaria medidas contra a federação israelense ou seus clubes, alegando a incerteza jurídica da Cisjordânia no âmbito do direito internacional. Este ato de recusa no congresso da Fifa não é apenas um incidente diplomático esportivo; é um poderoso lembrete de que o esporte, muitas vezes, reflete e é afetado pelas realidades políticas e sociais mais amplas, especialmente quando a dignidade e os direitos de um povo estão em jogo, em um conflito armado que se estende desde outubro de 2023, apesar de um cessar-fogo firmado em 2025.Gostou desta notícia?
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