DECISÃO REFORMULA TAXA

'Taxa das blusinhas': governo volta a tributar compras internacionais de baixo valor em 2027, mas com imposto e alíquota diferentes

Pacotes de roupas em fábrica da Shein na China
Pacotes de roupas em uma fábrica da Shein em Guangzhou, província de Guangdong, China, em 1º de abril de 2025.

Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) substituirá o imposto de importação em 2027. Alíquota ainda será definida pelo Senado.

O governo federal decidiu restabelecer a tributação sobre compras internacionais de baixo valor, com a novidade de que a cobrança retornará em 2027 sob a nova Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS). A decisão, tomada no contexto da reforma tributária sobre o consumo, visa equalizar a tributação entre produtos nacionais e importados, impactando diretamente os consumidores que realizam compras em plataformas internacionais.

A CBS, um tributo federal, substituirá o antigo imposto de importação que incidia sobre encomendas com valor abaixo de US$ 50. A alíquota a ser aplicada ainda não foi definida e está sendo calculada pela Receita Federal em conjunto com o Tribunal de Contas da União (TCU). A expectativa é que o Senado Federal fixe o percentual em dezembro deste ano. Diferentemente do imposto anterior, a CBS não terá o limite de US$ 50 e será aplicada de forma isonômica para produtos nacionais e importados, com a mesma alíquota prevista para ambos.

A cobrança, que iniciou em 2026 com alíquotas de teste, entrará em vigor com força total em 2027. O cálculo da alíquota da CBS busca manter o patamar atual da carga tributária sobre o consumo, evitando perdas de arrecadação para o governo federal. Estimativas da consultoria Roit indicam que a taxa poderá chegar a 9,43% em 2027, um ajuste em relação à projeção inicial de 8,8% feita em 2024, que precisou ser revisada devido a novas isenções, como para carnes e medicamentos.

Além da CBS, o governo federal contará com o imposto seletivo, conhecido como "imposto do pecado", para compor a carga tributária. As alíquotas deste imposto, que incidirá sobre itens como álcool, refrigerantes, cigarros e veículos poluentes, serão definidas pelo Congresso Nacional. Caso as alíquotas do imposto do pecado sejam reduzidas, a CBS poderá ter sua alíquota elevada para garantir a manutenção da arrecadação total.

A partir de 2029, ocorrerá a transição do ICMS estadual e do ISS municipal para o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), que unificará a tributação de estados e municípios. Ao final desse período de transição, em 2032, o IBS, somado à CBS federal, poderá resultar em uma alíquota total estimada em 26,5%, uma das mais altas do mundo, também aplicável a importações. Essa medida visa promover a isonomia tributária, um pleito de setores do varejo nacional como o Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV), que representa empresas como Americanas, Dafiti, Centauro, Casas Bahia, Lojas Renner e Magazine Luiza. O IDV argumenta que a isenção de impostos para importados de baixo valor prejudicava o comércio local.

A decisão de revogar a "taxa das blusinhas" em maio de 2026, formalizada por Medida Provisória, havia sido uma resposta às pressões eleitorais e à rejeição pública. Anteriormente, em agosto de 2024, o governo havia instituído um imposto de importação de 20% sobre compras de até US$ 50, como resposta a demandas da indústria nacional que buscava reduzir a disparidade tributária em relação a produtos importados, especialmente no setor de vestuário. Na época, a medida gerou polêmica, com consumidores argumentando o encarecimento de produtos populares e a perda de atratividade das plataformas internacionais.

O setor produtivo, por outro lado, defendeu o imposto como um meio de reduzir a disparidade tributária e estimular o mercado interno. A "taxa das blusinhas" também contribuiu para a arrecadação pública, com R$ 5 bilhões registrados em 2025 e R$ 1,78 bilhão nos primeiros quatro meses de 2026.

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