MUDANÇA NO COMÉRCIO

Tarifas dos EUA impõem desafio de diversificação para a indústria brasileira

Contêineres e operações de exportação em terminal portuário.
A sobretaxa de 25% impacta diretamente a indústria brasileira e reconfigura o mapa de exportações.

Sobretaxa de 25% afeta 2,4 mil empresas e força redirecionamento de exportações; especialistas apontam que superar o Custo Brasil é vital para novos mercados.

As tarifas adicionais de 25% impostas pelos Estados Unidos sobre parte das exportações brasileiras entraram em vigor nesta quarta-feira (22), com impacto concentrado nos setores mais dependentes do mercado americano. A medida, decidida pelo governo liderado por Donald Trump, busca proteger setores internos, mas gera incertezas para empresas brasileiras que agora enfrentam o desafio de reorganizar sua logística e encontrar novos parceiros comerciais.

Economistas avaliam que a decisão não deve provocar uma crise sistêmica, mas impõe pressões imediatas sobre empresas com dificuldades de redirecionar seus produtos. O cenário atual é distinto de duas décadas atrás: a participação americana nas exportações brasileiras recuou de 19% em 2005 para 9,4% no primeiro semestre de 2026, conforme dados do Comexstat, do MDIC.

Para Leonardo Paz, pesquisador do Núcleo de Prospecção e Inteligência Internacional da FGV, a perda de protagonismo dos EUA era esperada diante da ascensão da China. Contudo, o impacto atual é sentido de forma desigual. Enquanto commodities têm maior facilidade de redirecionamento, setores industriais como calçados, máquinas e móveis enfrentam obstáculos severos devido à necessidade de certificações e adaptações técnicas específicas.

A Secretaria de Comércio Exterior (Secex) aponta que 2,4 mil empresas foram diretamente atingidas. Embora a diversificação para destinos como Índia, Vietnã, Indonésia e países do Oriente Médio seja o caminho apontado pela Fundação Vanzolini, especialistas ressaltam que o processo de conquista de novos mercados leva, em média, de 12 a 36 meses.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) manifestou preocupação, alertando que o cenário reduz a competitividade brasileira e gera insegurança jurídica. Para nomes como Ricardo Alban, da CNI, e José Augusto de Castro, da AEB, o desafio supera a política tarifária: o Brasil precisa priorizar a reforma do Custo Brasil, reduzindo a burocracia e investindo em produtividade e inovação para garantir uma inserção global sustentável.

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