GEOPOLÍTICA E CONFLITOS

Governo de Donald Trump avalia intervenção militar contra extremistas no Mali

O presidente dos EUA, Donald Trump, em cerimônia solene com militares.
O presidente dos EUA, Donald Trump, presta continência durante a solene transferência dos restos mortais de militares do Exército dos EUA — Foto: REUTERS/Evelyn Hockstein

A proposta de ataque ao grupo JNIM ainda divide autoridades americanas e pode elevar tensões entre os Estados Unidos e a Rússia no Sahel.

O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, estuda a possibilidade de realizar uma ação militar no Mali com o objetivo de neutralizar um grupo extremista vinculado à Al-Qaeda. A decisão sobre a viabilidade da operação, relatada pelo Washington Post na quarta-feira (22), surge em um momento de instabilidade severa na região do Sahel.

A proposta coloca em xeque a dinâmica de segurança no território, focando especificamente no Jama'at Nusrat al-Islam wal-Muslimin (JNIM). Até o momento, a medida não foi aprovada, sendo objeto de intensos debates internos entre integrantes da administração de Washington. A hesitação reflete a complexidade da situação local, onde a soberania do Mali tem sido desafiada desde o golpe militar de 2021.

Desde a mudança de regime, o Mali rompeu laços diplomáticos tradicionais com o Ocidente e estreitou alianças com a Rússia, passando a contar com o suporte de mercenários para o combate aos insurgentes. Nesse cenário, o JNIM emergiu como a força mais armada da região, situada ao sul do deserto do Saara, expandindo sua influência de maneira alarmante. Conforme o Washington Post, o grupo realizou investidas coordenadas em Bamako e tomou o controle de uma cidade estratégica, enfrentando diretamente o Exército do Mali e forças russas.

O impacto humanitário da violência contínua tem devastado a dignidade da população local, que vive sob o fogo cruzado de facções terroristas e disputas de poder internacionais. Uma intervenção direta dos Estados Unidos elevaria o risco de conflito direto com o grupo ligado ao Ministério da Defesa russo presente no país, criando um novo ponto de fricção global.

Embora o Departamento de Estado americano não tenha confirmado apoio oficial, o secretário Marco Rubio manifestou condenação às atividades terroristas na região. Caso a operação seja autorizada, o Mali se tornaria o oitavo país a ser alvo de ações militares sob a atual gestão de Donald Trump, juntando-se a uma lista que já inclui o Iêmen, a Somália, a Síria, o Irã, o Iraque, a Nigéria e a Venezuela.

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