DIPLOMACIA E COMÉRCIO
Alckmin diz que Lei de Reciprocidade está na mesa para resolver impasse com EUA
Vice-presidente defende busca por soluções diplomáticas e nega intenção de guerra comercial após aplicação de tarifas norte-americanas.
O vice-presidente da República Geraldo Alckmin (PSB) reforçou a preferência do governo brasileiro pelo diálogo na resolução do conflito tarifário com os Estados Unidos. A declaração foi feita em evento em São Paulo na noite desta quarta-feira (22), ocasião em que o vice-presidente pontuou que, embora a Lei de Reciprocidade esteja disponível para uso, o foco central permanece na construção de acordos.
Conforme Alckmin, a aplicação da Lei de Reciprocidade não é o objetivo imediato do Palácio do Planalto. O governo busca evitar uma escalada de retaliações comerciais que prejudique a estabilidade econômica. "Nós temos uma Lei de Reciprocidade aprovada por unanimidade, [mas] a ideia não é fazer retaliação, a ideia é buscar solução. A Lei de Reciprocidade é um instrumento importante, que o governo tem que adequar, tem que avaliar, está na mesa. Mas este não é o objetivo. O objetivo não é fazer guerra comercial, é resolver o problema", afirmou.
A tensão comercial foi intensificada após o governo de Donald Trump confirmar a taxação de 25% sobre produtos brasileiros, decisão que entrou em vigor nesta quarta-feira (22). A medida foi justificada pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) após investigação sobre práticas comerciais brasileiras, incluindo questões relacionadas ao PIX e plataformas digitais.
Em paralelo às negociações, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou medidas de suporte aos setores atingidos. O governo liberou R$ 18,5 bilhões em crédito para empresas impactadas pela tarifa de 25% e pelos reflexos da guerra no Oriente Médio. O montante complementa o Plano Brasil Soberano, visando mitigar prejuízos em setores estratégicos como aço, alumínio e automotivo.
Lula manteve a postura de continuidade nas tratativas: "Nós estamos na mesa de negociação, já mandamos vários documentos e propostas. [...] Não vamos ficar chorando produtos que a gente não vendeu para eles, porque nós vamos procurar outros compradores".
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