COMÉRCIO EXTERIOR

Tarcísio defende negociação exaustiva para contornar impacto do tarifaço dos EUA

Tarcísio de Freitas em entrevista sobre o tarifaço comercial.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, defende diálogo para mitigar prejuízos econômicos.

Governador de São Paulo propõe estratégia de diálogo contínuo e crédito emergencial para proteger setores afetados pela taxação norte-americana.

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, defendeu a insistência no diálogo diplomático como estratégia central para minimizar os impactos do tarifaço imposto pelos Estados Unidos. Em agenda realizada nesta quarta-feira (22), o chefe do Executivo estadual descartou a aplicação da Lei de Reciprocidade, argumentando que tal medida apenas escalaria o conflito comercial sem trazer benefícios concretos aos setores brasileiros.

Para o governador, o cenário exige uma abordagem técnica e setorial. Ele destacou que a perda de competitividade em áreas como o agronegócio e a indústria de macroequipamentos é um desafio real que exige perseverança. "Temos que negociar até a exaustão, até o limite. É um caminho correto e a negociação por parte das empresas, levantando argumentos técnicos, será fundamental", afirmou.

Como forma de mitigar os danos imediatos aos produtores e indústrias paulistas, Tarcísio sinalizou a adoção de medidas que já demonstraram eficácia anteriormente. O plano inclui a liberação antecipada de crédito emergencial para dar fôlego aos empresários durante a crise. O governo estadual deve alinhar essas ações com as diretrizes do governo federal, que anunciou recentemente a disponibilização de R$ 18,5 bilhões para socorrer setores impactados tanto pelas tarifas dos EUA quanto pelos reflexos da guerra no Oriente Médio.

Ao abordar a complexidade das relações diplomáticas, Tarcísio reforçou que a disputa deve ser vista sob a ótica comercial, evitando a sobreposição de narrativas ideológicas. O governador lembrou o caso da Embraer como um exemplo de sucesso, onde a apresentação de argumentos específicos sobre o balanço de importações permitiu que a empresa obtivesse uma excepcionalização nas tarifas norte-americanas.

Paralelamente, o governo federal mantém sua postura oficial de não abandonar a mesa de negociações. O presidente Lula confirmou que o Brasil continua enviando propostas e documentos na tentativa de reverter as taxas de 25% que entraram em vigor nesta quarta-feira (22). Além do apoio de crédito, o Executivo federal sancionou o Plano Brasil Soberano 2, liberando R$ 15 bilhões para ampliar o suporte às cadeias produtivas estratégicas.

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