SAÚDE AVANÇA
SUS incorpora exame que revoluciona diagnóstico de câncer de mama
Decisão do Ministério da Saúde, publicada em 11 de maio de 2026, oferece rastreamento genético inédito contra a doença e promessa de tratamentos mais personalizados. Implementação em até 180 dias.
O Ministério da Saúde, em uma decisão publicada nesta segunda-feira, 11 de maio de 2026, no Diário Oficial da União (DOU), incorporou ao Sistema Único de Saúde (SUS) um exame genético crucial para detectar mutações ligadas ao câncer de mama hereditário. A medida, que representa um avanço significativo na luta contra a doença, deve ser implementada em até 180 dias, prometendo mudar a vida de milhares de mulheres ao oferecer diagnósticos mais precisos e tratamentos personalizados, além de prevenir o desenvolvimento da doença em pessoas de alto risco.
O novo exame busca mutações nos genes BRCA1 e BRCA2, comumente associadas aos casos hereditários de câncer de mama. Utilizando o sequenciamento de nova geração, o teste oferece a capacidade de identificar a origem específica do tumor, pavimentando o caminho para decisões clínicas muito mais individualizadas e eficazes.
Daniel Musse, renomado oncologista do Hospital Federal dos Servidores do Estado e membro de importantes sociedades de Oncologia Clínica (Brasileira, Americana e Europeia), enfatiza que o teste é fundamental para identificar indivíduos com elevado risco de desenvolver câncer de mama ou ovário. "É uma medida robusta de prevenção e acompanhamento intensificado, que não apenas auxilia a evitar um câncer futuro, mas também eleva consideravelmente as chances de detectar tumores em fases precoces e com grande potencial de cura", esclarece o especialista.
O oncologista ressalta a importância do exame para mulheres diagnosticadas com câncer de mama antes dos 50 anos ou com um histórico familiar significativo da doença. "Mulheres que desenvolveram tumores bilaterais, por exemplo, também se beneficiam do teste. Esses são perfis de pacientes que demonstram maior probabilidade de portar as alterações genéticas", pontua Musse.
Musse ainda destaca que os resultados do teste podem guiar a escolha terapêutica, indicando tratamentos específicos para pacientes com as mutações genéticas identificadas. Além disso, o exame desempenha um papel crucial no acompanhamento de familiares com risco elevado, "auxiliando na identificação de famílias com predisposição genética clara", afirma.
Cenário do Câncer de Mama no Brasil e no Mundo
De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o câncer de mama mantém-se como o segundo tipo de câncer mais prevalente entre as mulheres, respondendo por aproximadamente 30% dos diagnósticos de câncer feminino no Brasil.
Para o período entre 2026 e 2028, o Inca projeta uma estimativa alarmante de 78.610 novos casos anualmente no país, com um risco calculado de 71,57 ocorrências para cada 100 mil mulheres.
Globalmente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) revelou que, apenas em 2022, cerca de 2,3 milhões de mulheres receberam o diagnóstico de câncer de mama e, lamentavelmente, 670 mil perderam a vida em consequência da doença.
Fatores de Risco e Sinais de Alerta
Conforme o Inca, os fatores de risco para o câncer de mama são multifacetados, englobando aspectos hormonais e reprodutivos, hábitos de vida, influências ambientais e, crucialmente, a predisposição genética, que agora pode ser detectada precocemente pelo SUS.
Um dos fatores de risco primários é a idade; a incidência da doença eleva-se significativamente após os 50 anos, um período marcado pelo acúmulo de exposições hormonais e pelas alterações biológicas inerentes ao envelhecimento. Outros fatores incluem menarca precoce, menopausa tardia, o uso de contraceptivos hormonais e a terapia de reposição hormonal na pós-menopausa.
Entre os fatores modificáveis, que podem ser alterados para reduzir o risco, destacam-se o excesso de gordura corporal, o sedentarismo e o consumo de álcool. A exposição à radiação ionizante e o trabalho noturno também são reconhecidos como elementos de risco.
É vital estar atenta aos sinais, que podem variar, especialmente em fases mais avançadas da doença. Os principais sintomas incluem:
- Nódulo ou espessamento na mama, frequentemente indolor;
- Alterações no tamanho, formato ou na aparência geral da mama;
- Vermelhidão, ondulações ou outras modificações na pele;
- Mudanças perceptíveis no mamilo ou na aréola;
- Saída espontânea de qualquer secreção pelo mamilo, principalmente se acompanhada de sangue.
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