AVANÇO NA NEUROCIÊNCIA

Cientistas da UPenn identificam 'interruptor' cerebral contra a dor crônica

Imagens científicas fluorescentes de neurônios no cérebro para estudo da dor
Imagens fluorescentes de neurônios NPY+ (verde) em todo o cérebro são mostradas, além de neurônios em magenta que enviam projeções para o núcleo parabranquial lateral • J. Nicholas Betley/Divulgação

Pesquisa publicada na revista Nature revela que neurônios Y1R no tronco cerebral sustentam a dor persistente e podem ser o alvo de novos tratamentos.

Uma equipe internacional de pesquisadores da Universidade da Pensilvânia (UPenn), nos EUA, identificou um mecanismo neural no tronco cerebral capaz de regular a dor crônica. A descoberta, publicada na revista Nature, aponta que neurônios específicos, conhecidos como Y1R, funcionam como um centro de controle para a dor persistente, oferecendo uma nova perspectiva para o tratamento de uma condição que afeta cerca de 10% a 25% da população mundial.

Diferente da dor aguda, que atua como um sinal de alerta temporário, a dor crônica persiste muito além do ciclo de cicatrização dos tecidos, comprometendo seriamente a dignidade e a qualidade de vida dos pacientes. Ela impacta não apenas o bem-estar físico, mas também o sono, o estado emocional e as relações sociais, sendo frequentemente tratada com eficácia limitada.

O estudo, liderado por J. Nicholas Betley, observou em modelos pré-clínicos que os neurônios Y1R disparam de forma contínua durante estados crônicos — um fenômeno chamado de "atividade tônica". Isso explica por que a sensação dolorosa permanece ativa mesmo na ausência de um estímulo ou lesão imediata.

A investigação também revelou um mecanismo evolutivo surpreendente: quando o corpo enfrenta fome ou situações de perigo iminente, o cérebro libera o neuropeptídeo Y (NPY), que inibe os neurônios Y1R e, consequentemente, reduz a percepção de dor. Esse processo biológico de priorização de sobrevivência sugere que o problema da dor crônica pode residir mais na codificação do circuito cerebral do que no local da lesão original.

O avanço científico não aponta apenas para o desenvolvimento de novos fármacos. Segundo Betley, a plasticidade desses circuitos sugere que intervenções comportamentais, como meditação e terapia, também podem modular esses neurônios. A descoberta abre caminho para tratamentos mais precisos que possam, futuramente, silenciar a dor persistente de forma eficaz.

Gostou desta notícia?

Entre no nosso grupo do WhatsApp!

Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!

📲 Quero entrar no grupo

Compartilhe esta matéria

Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar!

Deixe seu comentário