EVOLUÇÃO DO SETOR

Genética e bem-estar impulsionam recorde na produção de leite no Brasil

Vaca Jornada Montross FIV LPN em exposição durante a Megaleite.
Jornada Montross FIV LPN alcançou a marca de 112,65 kg de leite em um único dia.

Com a redução do rebanho em 13 anos, tecnologia e conforto animal elevam a produtividade nacional a patamares históricos.

A produtividade do rebanho leiteiro brasileiro registrou um salto expressivo nas últimas duas décadas, impulsionada por investimentos estratégicos em melhoramento genético e manejo especializado. Esse cenário foi evidenciado durante a 21ª Megaleite, realizada em junho em Belo Horizonte (MG), quando a vaca Jornada Montross FIV LPN alcançou a marca histórica de 112,65 kg de leite em um único dia.

O desempenho da vaca Jornada Montross FIV LPN, que totalizou 337,95 kg de leite ao longo de três dias de competição, superou o recorde anterior da Fernanda Forbes IS Olhos D´Água. Para Rodrigo Nogueira Ferreira, proprietário da recordista, o resultado é fruto de um manejo de alto rendimento que prioriza o conforto animal, permitindo que o espécime se destaque significativamente da média de outras vacas da mesma propriedade.

Segundo Rui Verneque, chefe-adjunto de Transferência de Tecnologia da Embrapa Gado de Leite, a ascensão da produtividade brasileira reflete uma transformação estrutural do setor observada nos últimos 24 anos. "Se há 20 anos você falasse isso, a gente chamaria a pessoa de doido, estava sonhando e hoje já é realidade", afirma Verneque.

O avanço é sustentado por três pilares fundamentais: a seleção genética planejada, o aprimoramento da alimentação e o rigor no bem-estar animal. O desenvolvimento de raças adaptadas ao clima tropical, como o girolando — que resulta do cruzamento entre as raças holandesa e gir leiteiro —, foi determinante para tornar o Brasil altamente competitivo.

A elevação da produtividade, contudo, exige uma gestão mais cautelosa. Animais de alta performance, como Jornada, possuem exigências fisiológicas elevadas. O controle térmico, a redução de ruídos e a estabilidade da rotina são essenciais para evitar o estresse térmico, que impacta diretamente a capacidade produtiva do gado. Atualmente, a nutrição também passou por mudanças, com dietas formuladas tecnicamente e pastagens de maior valor nutritivo.

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