IMPACTO ECONÔMICO GLOBAL
Subida da inflação atinge popularidade de Trump; Fed pode subir juros em outubro
Conflito no Oriente Médio eleva custos de energia e pressiona juros. A inflação ao consumidor nos Estados Unidos atingiu 4,2% em maio, maior índice desde abril de 2023. Economistas alertam para aumento da taxa pelo Fed em outubro, com reflexos no Brasil.
Como um novo choque econômico, a inflação ao consumidor nos Estados Unidos registrou 4,2% em maio, o índice mais alto desde abril de 2023. O principal vilão dessa escalada é o conflito no Oriente Médio, que disparou os custos de energia, respondendo por 60% do avanço inflacionário mensal. Essa realidade atinge diretamente Donald Trump, que prometeu reduzir preços como eixo de sua campanha. A deterioração do custo de vida minou a popularidade do republicano, mergulhando seu governo em uma crise de imagem sem precedentes, agravada pela tensão com o Irã. **Sinais Cruzados Diante da Crise** Trump tem oscilado em suas respostas, ao mesmo tempo em que busca um acordo com Teerã, ordena novos ataques contra o país. Para jornalistas na Casa Branca, a prioridade é evitar que o regime iraniano desenvolva armas nucleares, mesmo que isso gere consequências econômicas. Questionado sobre a alta, Trump chegou a declarar que "ama a inflação". No campo militar, o CENTCOM (Comando Central dos EUA) encerrou suas operações, indicando que os Estados Unidos visam influenciar o Irã sem escalar o conflito. Lourival Sant'Anna, analista de Internacional da CNN, aponta que o Irã detém dominância estratégica e que Trump tenta retomar a iniciativa, embora sem margem política para tal. "O Irã está com uma dominância estratégica sobre esse conflito", observou Sant'Anna, acrescentando que Trump tenta recuperar a iniciativa sem condições legais ou políticas de escalar as ações militares. **Núcleo da Inflação e Perspectivas para os Juros** Marcello Estevão, diretor-gerente e economista-chefe do IIF (Instituto de Finanças Internacionais), avalia que o núcleo da inflação — desconsiderando energia e alimentos — surpreendeu para baixo, em parte pela dissipação de tarifas anteriores. "Na verdade, se tirar preços de energia e tirar preços de comida, o que a gente chama do núcleo inflacionário, na verdade surpreendeu para baixo esse mês", explicou Estevão, ressaltando que o choque energético tende a impulsionar a inflação futura. O IIF projeta que o Fed (Federal Reserve) aumentará a taxa de juros ainda em 2026, possivelmente em outubro, cenário que impactará o Brasil. **Trump "Sem Saída" para Resolver Pressão Inflacionária** Estevão é categórico ao afirmar que Trump necessita de uma mudança de política para conter a inflação antes das eleições de meio de mandato em novembro, mas não acredita que isso ocorrerá. "Ele não vai querer parecer fraco", ponderou. O economista sugere que uma saída racional seria um acordo com o Irã para reabrir o Estreito de Ormuz, mas isso seria "declarar derrota", o que Trump não faria. Lourival Sant'Anna complementa que a classe média americana está restringindo gastos ao essencial, como alimentos e energia, o que explica o núcleo da inflação mais baixo. As bolsas americanas fecharam em forte queda, com a inflação superando o aumento salarial pelo segundo mês consecutivo, ameaçando o consumo e a economia.
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