JULGAMENTO DISCIPLINAR CRÍTICO

STJ prevê conclusão de PAD contra Marco Buzzi até agosto

Fachada do edifício do Superior Tribunal de Justiça.
Sede do Superior Tribunal de Justiça em Brasília.

Corte busca encerrar o processo sobre acusações de importunação e assédio sexual contra o ministro antes da mudança na presidência em 19 de agosto.

O Superior Tribunal de Justiça decidiu concluir até a primeira quinzena de agosto o processo disciplinar instaurado contra o ministro Marco Buzzi, sob acusação de importunação e assédio sexual. A medida visa encerrar o caso antes da transição na cúpula da Corte, agendada para 19 de agosto, conforme definido nesta domingo, 12/07/2026.

A condução do Processo Administrativo Disciplinar (PAD) está sob responsabilidade de uma comissão composta pelos ministros Luis Felipe Salomão, futuro presidente do tribunal, Benedito Gonçalves e Ricardo Villas Bôas Cueva. O rito processual avança para a fase de relatório final, após o encerramento das oitivas e a apresentação das alegações finais das partes envolvidas.

O impacto dessas denúncias atinge a esfera da dignidade das vítimas e a integridade do Poder Judiciário. O Ministério Público Federal (MPF) defende a aposentadoria compulsória do magistrado, argumentando que as condutas relatadas — que incluem toques não consentidos e comentários de teor sexual — violam o decoro e os deveres fundamentais da magistratura. O MPF sustenta que o comportamento atribuído a Marco Buzzi é incompatível com o exercício da jurisdição.

O caso, que tramita em sigilo, envolve denúncias de uma jovem de 18 anos sobre um episódio na Praia do Estaleiro, em Balneário Camboriú (SC), e relatos de uma ex-colaboradora terceirizada sobre assédio no ambiente de trabalho entre 2023 e 2025. Paralelamente, o Supremo Tribunal Federal (STF) acompanha os desdobramentos, com o ministro Nunes Marques atuando como relator do inquérito que tramita na Corte superior.

A defesa de Marco Buzzi refuta integralmente as acusações, alegando inconsistências técnicas nos relatos e sustentando que condições físicas do ministro impediriam a execução dos atos narrados. Os advogados apontam ainda a possibilidade de conluio entre as denunciantes e criticam o vazamento de informações sigilosas. A decisão final do plenário do STJ será determinante para o futuro profissional do ministro, que está afastado de suas funções desde fevereiro de 2026.

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