FRAUDE FINANCEIRA REVELADA
STF revela táticas de ocultação em caso Master; pai de Daniel Vorcaro é preso
Henrique Vorcaro utilizava número internacional para dificultar rastreio de comunicações em esquema de fraudes financeiras; defesa classifica prisão como 'grave e desnecessária'.
A decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), revelou que Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, empregava um número de telefone registrado na Colômbia para se comunicar com outros membros de uma suposta organização criminosa. A medida judicial, que culminou na prisão de Henrique Vorcaro nesta quinta-feira, 14 de maio de 2026, visa desmantelar um complexo esquema de fraudes financeiras sob investigação na Operação Compliance Zero. A revelação dessas táticas sofisticadas de ocultação de comunicação sublinha a gravidade das acusações e o impacto direto na confiança pública no sistema financeiro, ao mesmo tempo em que aprofunda as investigações sobre o Caso Master.
André Mendonça, relator da Operação Compliance Zero no STF, que investiga crimes cometidos por Daniel Vorcaro e as supostas fraudes financeiras ligadas ao Banco Master, presidiu a decisão desta 6ª fase da operação. Ele pontua que os métodos de comunicação de Henrique Vorcaro seguiam um 'padrão de ocultação e precaução normalmente associado a estruturas criminosas sofisticadas', o que gerou a ordem de prisão.
Além de usar um número da Colômbia, Henrique Vorcaro trocava frequentemente de número de telefone, evidenciando uma estratégia para evitar a rastreabilidade. O ministro detalha no documento:
“Há elementos que revelam comportamento compatível com atitude suspeita e a tentativa de dificultar a rastreabilidade de suas comunicações. (...) HENRIQUE troca de número telefônico com frequência e que, em momento recente à deflagração da terceira fase da Operação Compliance Zero, passou a utilizar número estrangeiro, registrado na Colômbia. Em análise preliminar, tais circunstâncias se harmonizam com o padrão de ocultação e precaução normalmente associado a estruturas criminosas sofisticadas.”
O documento também menciona “Marilson”, identificado como Marilson Roseno da Silva, um policial federal aposentado. As investigações apontam Marilson como líder operacional do núcleo “A Turma”, atuando como elo entre os mandantes e os executores. Ele coordenava atividades de monitoramento, intimidação e obtenção de informações sigilosas, recebendo ordens do núcleo central da organização criminosa.
Outro integrante do esquema, Sebastião Monteiro Júnior, também policial federal aposentado, utilizava práticas similares de comunicação, empregando um número dos Estados Unidos para dificultar o rastreio. A decisão judicial descreve o comportamento de Sebastião:
“Sua conduta se ajustava ao padrão operacional da organização: uso de terminal telefônico internacional, adoção de mensagens temporárias, prevalência de ligações telefônicas em detrimento de trocas escritas e realização de encontros pessoais reservados com o líder do núcleo, tudo com a finalidade, em tese, de reduzir rastros e dificultar a reconstrução probatória das tratativas ilícitas.”
Defesa de Henrique Vorcaro contesta prisão
Em nota oficial, a defesa de Henrique Vorcaro classificou a prisão como uma “medida grave e desnecessária”. Os advogados afirmam:
“Constata-se que a decisão se baseia em fatos cuja comprovação da respectiva licitude e o lastro de racionalidade econômica ainda não estão no processo. E não estão porque não foram solicitados à defesa e nem a ele. O ideal seria ouvir as explicações antes de medida tão grave e desnecessária. Cuidaremos imediatamente de demonstrar a licitude ainda hoje.”
O g1 tenta contato com os demais investigados para obter seus posicionamentos sobre o caso.
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