DECISÃO CRUCIAL

STF retoma julgamento sobre caso Mari Ferrer com voto do relator

Sessão plenária do STF
Sessão plenária do STF na 4ª feira (17.jun.2026).

Ministros analisam se constrangimento da vítima em audiência pode anular provas em processo por estupro. O caso Mari Ferrer já inspirou lei nacional.

O Supremo Tribunal Federal (STF) retoma nesta quinta-feira, 18 de junho de 2026, o julgamento do caso da influenciadora Mariana Ferrer. A Corte analisará, a partir do voto do ministro relator Alexandre de Moraes, se o constrangimento sofrido pela vítima durante uma audiência pode invalidar provas em um processo por estupro. Esta decisão, que já teve repercussão geral reconhecida pelo plenário, tem o potencial de redefinir o tratamento de vítimas em situações semelhantes e o valor das provas obtidas sob coação.

Mariana Ferrer relatou ter sido submetida a sarcasmo, ironia, ofensas, humilhações e insinuações sexuais de "baixo nível" durante seu depoimento. O caso ganhou notoriedade em novembro de 2020, após a publicação pelo site The Intercept de trechos da audiência onde o advogado do empresário André de Camargo Aranha, réu na ação por estupro, questionava fotos da influenciadora em redes sociais. A defesa alegou que Ferrer foi "humilhada e achincalhada pelo advogado de defesa", sem que houvesse interrupção por parte do juiz, do promotor de Justiça ou do defensor público.

O impacto dessa exposição foi profundo e levou à aprovação pelo Congresso Nacional da Lei Mariana Ferrer (Lei nº 14.245, de 2021). Essa legislação tem o objetivo fundamental de coibir a humilhação e o assédio contra testemunhas, especialmente em crimes sexuais, visando garantir a dignidade e a segurança de quem busca justiça. Essa lei representa um marco na proteção dos direitos das vítimas no sistema judicial brasileiro.

No mérito do processo original, o empresário acusado foi absolvido em primeira instância por insuficiência de provas. Essa decisão foi mantida em segunda instância pelo TJSC. Posteriormente, em 2023, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) instaurou um processo disciplinar contra o juiz responsável pelo caso em primeira instância, indicando uma possível falha na condução do processo e na proteção da vítima.

Sessão plenária do STF em 17 de junho de 2026.

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